Cultura

Walter Ananás dá O2 ao público

Almiranda Mateta Feijó

Não que eu duvidasse que o grupo “O2” fosse capaz de preencher os nossos corações com saudosismo, alegria e muita emoção, depois de mais de 10 anos fora dos palcos. Porém, no último sá-bado, ver o Walter Ananás a irradiar o CCB (Centro de Conferências de Belas), em Luanda, com a sua mestria no canto e na dança foi muito mais do que recuar no tempo, foi vislumbrar um grande artista que não se esconde para que o não possamos ver, mas que se põe à luz para todos iluminar.

Cantor Walter Ananás
Fotografia: Edições Novembro

No show da  saudade, o oxigénio que vinha da banda e de Walter enchia os pulmões dos fãs espalhados pela sala. Daí que não houve problemas de asfixia no espaço. Todos respiravam perfeitamente.
Na noite de sábado, vi Michael Jackson deslizar no palco. Estão espantados? Acreditem! Era o rei da Pop encarnado no nosso Walter Ananás. E olhem que não tem nada de espanto, até porque o Ananás tem coroa, então, para mim, é rei. Sem dúvidas foi mesmo o rei da noite e do espectáculo.
Bastante energia num só corpo, tanto talento humilde que não o deixou ignorar os jovens promissores da mú-sica nacional, fora e dentro da sua geração.
Por isso, partilhou o palco com o seu irmão Nicol Ananás, CEF, Linford, El Vinci, Bruna Tatiana, Paul G e também com o grande Heavy C. O show em cartaz no CCB era do histórico grupo O2, sim, mas não há O2 sem N'Sexy Love.  Eunice José não resistiu e subiu ao palco por alguns minutos, para nos arrebatar para um tempo tão distante, mas tão próximo do que vivemos na-quela noite. 
O Ngunza esteve no palco. O João Paulo? Não esteve presente. O Bigú também não! Mas estava o Walter Ananás elevado a 10, para dar toda a “tonga” e sumo àqueles fãs verdadeiros que, fielmente, se fizeram presentes ao espectáculo. Assim, saímos, todos, do CCB saciados.                              
Deixa-me colocar o Walter, homem que fala e canta línguas que não entendemos, mas que as sentimos, no panteão dos “Show Men” aqui da nossa banda. Sim, coloco-o ao lado do “Kota Bué” (Calabeto), Yuri da Cunha e daquele que não se cala, Calado Show.
 O Walter Ananás merece estar no pódio erguido por mim. Não é cunha. É meritocracia de um talento puro e de outra latitude.
“Inacreditável”.

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