Cultura

Música popular urbana perdeu Tony Caetano

Mário Cohen

A cultura angolana, em particular a música, está mais pobre com a morte, na quarta-feira, em Luanda, do músico Tony Caetano, aos 67 anos, vítima de doença.

 

Autor de “Panguiami” deixa um álbum por ser concluído
Fotografia: Edições Novembro

A morte do grande executor do semba, que deixa um disco de vinil, gravado em 1972, abalou a classe artística nacional. Companheiros de carreira musical e amigos destacam o autor da canção “Panguiami” como um músico que sempre trabalhou arduamente para a preservação do semba.
António Paulino, um dos companheiro de longa data do falecido no agrupamento Os Gingas, afirmou que “a morte de Tony Caetano deixa um grande vazio na cultura nacional, que perde um dos notáveis seguidores do semba”.
“A morte de Tony Caetano caiu-me muito mal pelo facto de saber que ele sobreviveu a um dos maiores massacres da História de Angola, no Zenza do Itombe, um verdadeiro genocídio que abalou a sociedade angolana. Lembro-me como se fosse hoje. Estavam na altura na caravana integrantes dos Gingas, como eu, Tony Caetano e Bangão, quan-do militares da UNITA atacaram o autocarro Kev da Empresa de Transporte Público ETIM que fazia a rota Luanda-Dondo”, recorda António Paulino com lágrimas nos olhos.
O autor de “Pontapé” conta ainda que o empresário musical do Dondo, que na época  levava  músicos de Luanda para a cidade do Dondo, faleceu durante o ataque ocorrido no Zenza do Itombe, que este ano completa 30 anos.
De acordo com António Paulino, o convívio com Tony Caetano data de 1971, tendo por várias ocasiões os dois actuado no mesmo palco. “O falecimento de Tony Caetano abala a classe artística, principalmente a música.”
O músico e compositor Lulas da Paixão disse que, com a morte do autor de “Panguiami”, a cultura nacional perde um grande fazedor do semba. Lulas da Paixão conviveu com Tony Caetano como músico e amigo desde o tempo colonial, tendo actuado em vários espectáculos nos centros recreativo dos musseques da cidade capital.
O autor de “Garan” considera Tony Caetano  um músico que sempre soube interpretar bem o semba, cujo  cartão de visita é o tema “Pamguiami”, mas também produziu “Maboque”, com os Jovens do Prenda, agrupamento que o acompanhou em vários espectáculos.
“Tony Caetano deixou em produção o CD ‘Waxi Uami’ com dez temas de semba, rumba e kilapanga. Como fica a conclusão e o lançamento deste disco e quem se vai  responsabilizar, uma vez que o CD foi pago pelo músico?” questiona Lulas da Paixão.

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