Músico Bangão homenageado no palco

Manuel Albano |
4 de Agosto, 2016

Fotografia: Francisco Bernardo

O resultado de quatro décadas que marcaram a carreira do músico Bangão, como uma referência do semba, são apresentados amanhã, às 20h00, durante um espectáculo, no complexo Weza Paradise, em Luanda.

Bangão, que morreu no dia 17 de Maio do ano passado, na África do Sul, vítima de doença, vai ser recordado por um “elenco de luxo”, do qual se destacam os músicos Don Caetano, Calabeto, Lulas da Paixão e, da nova geração, Eddy Tussa, Margareth do Rosário e Taraza Nzage.
Para homenagear o autor de sucessos como “Sembele”, “Cuidado” e “Fofucho”, dono de uma longa e rica carreira artística, está prevista a projecção em tela de algumas imagens e depoimentos sobre a vida e obra de Bangão, bem como o lançamento de fogo de artifício, de acordo com a organização.
Os convidados devem interpretar temas do malogrado, como forma de “imortalizar” as suas obras e feitos alcançados no mercado nacional e internacional. Os músicos vão ter o suporte instrumental da Banda Movimento.
Calabeto, também conhecido artisticamente por “Kota Bué”, disse ontem ao Jornal de Angola, que o homenageado deu o seu contributo para o crescimento da música angolana e foi um dos principais animadores dos grandes bailes realizados pelo país.
O músico recordou com nostalgia o dueto que fez com Bangão no tema “Kufundo ó mãe”, no disco “Flor humana”, lançado em 2005, pelo projecto Criança Futuro. “Apesar da nossa diferença de idade, Bangão sempre foi merecedor do meu respeito pelo legado deixado à música nacional, em particular, e à cultura, em geral.”
A homenagem, realçou, é digna, porquanto, o homenageado sempre teve uma postura que ajudou a tornar o semba num dos estilos mais populares a nível nacional e internacional. “É um momento especial e de satisfação, porque ele sempre foi um homem de fácil trato e foi defensor dos nossos estilos tradicionais.”
Para Eddy Tussa, o autor de “Sembele” tornou-se num dos “símbolos do semba e importante emblema”, para a preservação da música angolana, por defender sempre as suas raízes. “Acredito que Bangão não tinha uma real noção da sua popularidade e o quanto foi acarinhado.” Homenagear Bangão, disse Eddy Tussa, é prestar um verdadeiro tributo ao semba.
“Momentos como esse deveriam existir com maior frequência. Isso prova que ainda existem pessoas atentas, que reconhecem o valor inestimável de um dos exímios executantes do estilo semba.” Eddy Tussa disse ser importante que os músicos da nova geração apostem e explorem mais os ritmos musicais tradicionais, no sentido de continuar-se a valorizar as raízes culturais angolanas, por forma a dar-se continuidade ao legado deixado pelos músicos consagrados.

Percurso de um ícone

Bernardo Jorge “Bangão” pisou pela primeira vez um palco a 18 de Outubro de 1978, como elemento do grupo Os Gingas Kakulo Kalunga. Na sua carreira artística, passou pelo agrupamento “Tradição”, em 1974, que integrava, entre outros, Alaito (tumbas) e André Lua (voz).
De 1976 a 1977 integrou, como vocalista, o grupo Processo de África, com Guncha (tumbas), Artur Décimo (viola baixo), Alaito (bateria) e Abílio (viola ritmo). No entanto, a sua primeira grande aparição pública ocorre a 18 de Outubro de 1978, como integrante do grupo Os Gingas Kakulo Kalunga.
Em 1996, venceu o prémio Liceu Vieira Dias, com o tema “Kibuikila” (peste), acompanhado pela Banda Movimento. Em plena ascensão da carreira, Bangão é convidado, em 1999, a fazer parte da Banda Movimento, sempre como vocalista.
No mesmo ano, ganhou a primeira edição do concurso Semba de Ouro, com a canção “Kangila” (pássaro agoirento) e afirmou-se como cantor e compositor de inequívocos créditos firmados.
O ano de 2003 consagrou Bangão como um dos maiores intérpretes da música popular angolana. Neste ano, no Top Rádio Luanda, ganha os prémios de música do ano, com o tema “Fofucho”, voz masculina do ano e é reconhecido com o prémio preservação pela sua incessante defesa da música popular angolana. Em 2005, venceu o Top dos Mais Queridos, da Rádio Nacional de Angola (RNA).
Nascido a 27 de Setembro de 1962, no bairro Brás, no actual distrito urbano do Sambizanga, em Luanda, onde inicia a carreira musical, Bangão já participou em espectáculos realizados em Portugal, Argentina, Namíbia e Brasil.

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