Cultura

Músicos pedem fábrica de discos em Angola

Manuel Albano |

A importância da construção urgente de uma fábrica de disco no país, por formas a reduzir os custos de produção, foi uma das inquietações apresentadas, terça-feira, pelos músicos e demais fazedores de arte, durante a audiência com o Presidente da República, João Lourenço, realizada no Palácio Presidencial da Cidade Alta.

Artistas elogiaram a abertura ao diálogo e a forma como João Lourenço ouviu suas preocupações
Fotografia: Francisco Bernardo | Edições Novembro

Em reacções ao que foi o encontro, considerado de “cordial e ameno”, pelo músico Gabriel Tchiema, que se mostrou ainda bastante optimistas quanto ao cumprimento das orientações deixadas pelo PR, em especial as ligadas aos direitos de autor, resgate dos usos e costumes, carteira profissional e a valorização dos instrumentos musicais tradicionais, actualmente em vias de desaparecerem.
Gabriel Tchiema, que elogiou também a simplicidade do Chefe de Estado para escutar as preocupações e a sua sensibilidade para procurar resolver as questões sociais, espera que o encontro seja uma “lufada de ar fresco” para a classe artística.
A construção da fábrica de disco, em breve, num local a indicar pelo Ministério da Cultura, como uma das recomendações do Presidente João Lourenço, deixou, para Gabriel Tchiema, a classe optimista, por permitir a redução dos custos de produção e ajudar a diminuir a pirataria. “O Presidente quer uma sociedade de artistas mais pro-activa, de maneira a não deixar os outros tratarem dos assuntos culturais angolanos”, disse.
O cantor prometeu continuar a dar o seu contributo para o desenvolvimento, preservação e divulgação da cultura angolana, através da música. “O Ministério da Cultura vai continuar a ser o nosso guia, por formas a nos ajudar a identificar os principais problemas que afligem os fazedores de arte”, disse o músico.

Profissionalismo

Para Tigre Chieta, um dos in­tegrante do grupo de humor Tuneza, o encontro serviu para se abordar de forma descontraída a questão da valorização profissional, um problema ainda longe de uma resolução positiva.
A criação de salas de espectáculos convencionais, em cada município do país, acrescenta, iria ajudar, por exemplo, a reduzir os custo dos preços cobrados em algumas salas de espectáculos, como o Centro de Conferência de Belas (CCB).
Por um espectáculo, in­cluindo o custo da produção no CCB, adiantou, o grupo gas­ta em média, três milhões de kwanzas, o que muita das vezes não tem o devido re­torno financeiro. “Com mais salas evitaríamos recorrer com frequências os restaurantes e outros locais menos apropriados para a realização das actividades.”
Tigre Chieta destacou ainda que o Presidente da República pediu mais organização e união dos artistas, para desta forma poderem estar sensível aos problemas dos fazedores de artes de uma forma generalizada.

Momento marcante

Marito Furtado, baterista e director da Banda Maravilha, considerou o encontro “como um dos momentos mais alto da carreira dos integrantes da banda”, razão pela qual, procurou ouvir atentamente as recomendações do Chefe de Estado. Ao longo dos 25 anos de existência do grupo, disse, este, foi um encontro despido de formalidades e sobre a troca de conhecimentos acerca dos esforços que tem sido feito pelo Executivo no incentivo a criação artística.
Na sua opinião, a compra de discos no país ainda é um luxo para a maioria, o que ajudaria a baixar tais custo seria a entrada em funcionamento de uma fábrica de disco. “Focamos muitas das conversas na necessidade do país em ter já uma fábrica de disco. Temos um novo disco, praticamente acabado há dois anos, mas por falta de divisas para o produzir no estrangeiro, estamos, até hoje, de mãos atadas”. Durante a audiência, disse, o Presidente da República pediu ainda mais diálogo e encontros entre o Ministério da Cultura e os fazedores de arte, por formas a encontrarem os melhores caminhos na resolução dos principais problemas da classe.

Apoios

Para o saxofonista Nanuto um dos pontos alto do encontro foi o facto de o PR ter dado garantias de continuar a apoiar, de forma activa, a instalação de uma fábrica de discos em Angola. “É uma boa maneira de minimizar as dificulda­des dos músicos e reduzir os altos custos de importação de discos.”
Nanuto revelou que o Che­fe de Estado garantiu que a futura fábrica de discos pode surgir como um investimento privado e que o Executivo da­ria todo o apoio necessário, para que o país pudesse contar com a estrutura o mais bre­ve possível.
Paulo Flores, que ofereceu ao Presidente da República o seu mais recente disco, “Candongueiro Voador”, elogiou a abertura ao diálogo e a forma como João Lourenço permitiu que os músicos expusessem as suas preocupações.

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