Nau de Colombo continua desaparecida


13 de Outubro, 2014

Fotografia: Divulgação

A embarcação naufragada ao largo do Haiti não pertence à frota com a qual Cristóvão Colombo descobriu a América em 1492, garantiu em comunicado de imprensa a Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura (UNESCO).

O comunicado afirma que os vestígios apresentados em Maio pelo explorador norte-americano Barry Clifford não pertencem a Santa Maria, a nau almirante da frota do navegador.
“Há provas irrefutáveis que os destroços descobertos pertenceram a uma embarcação de um período muito mais recente”, diz o documento. A UNESCO baseia-se nas conclusões reunidas pelos especialistas que nomeou para avaliar os destroços e que mergulharam nas águas haitianas entre 9 e 14 de Setembro.
A equipa liderada pelo espanhol Xavier Nieto Prieto, profundo conhecedor dos naufrágios espanhóis, concluiu que “os elementos de fixação encontrados no local são testemunho de uma técnica de construção naval que remonta ao final do século XVII e ao século XVIII”.
Estes elementos, declararam os especialistas, que unem as tábuas umas às outras, são em cobre, quando os usados no tempo de Colombo eram em ferro ou madeira. “Segundo registos de época, entre eles o diário de bordo de Cristóvão Colombo, transcrito por Bartolomé de Las Casas, os destroços estão demasiado longe da costa para serem os de Santa Maria”, disseram os arqueólogos à agência de notícias France Press.
Os especialistas contratados pela UNESCO a pedido do Governo haitiano, que receava que os vestígios da embarcação fossem saqueados, contrariam as pretensões de Barry Clifford, que garantiu aos jornalistas em 14 de Maio, em Nova Iorque, que tudo indicava tratar-se da célebre nau. “Todos os dados geográficos, arqueológicos e topográficos sugerem que esta embarcação naufragada é a famosa nau almirante de Colombo, a Santa Maria”, disse o arqueólogo.
“Estou confiante de que uma escavação completa da nau revela a primeira prova arqueológica marinha pormenorizada da descoberta da América por Cristóvão Colombo”, defendeu.
O arqueólogo baseava-se nas ruínas de um pequeno forte localizadas em 2003 e num canhão do século XV descoberto no mesmo ano, nas imediações.
Os vestígios do fortim descobertos eram significativos porque, diziam relatos da época, a nau almirante de Cristóvão Colombo liderava uma frota de duas caravelas, a Niña e a Pinta, que naufragou depois de encalhar num recife ou num banco de areia ao largo da costa norte do Haiti na noite de Natal de 1492. 
“Parte da tripulação deve ter ficado para trás e, respeitando ordens de Cristóvão Colombo, construíram um modesto aquartelamento com madeira da nau encalhada. Quando este voltou no ano seguinte, os seus marinheiros tinham desaparecido e, desde então, a Santa Maria ficou por localizar”, contam os especialistas.
Com 25 metros de comprimento por oito de largura, 102 toneladas e um mastro principal com 23 metros, era a maior embarcação da frota. A bordo deveriam seguir 40 marinheiros.
Aos 68 anos e depois de nas últimas décadas ter já identificado dezenas de locais de naufrágios em todo o mundo, Barry Clifford não está surpreendido com as conclusões dos especialistas da UNESCO agora divulgadas. No mês passado, e segundo o site da cadeia de televisão Fox, este arqueólogo norte-americano tinha já dito à agência de notícias Associated Press que não reunira com os especialistas contratados antes de publicarem o seu relatório e esperaria que a equipa de Xavier Prieto levantasse dúvidas.
Estes arqueólogos defendem, por seu lado, que “devem ser feitas escavações suplementares para localizar a verdadeira nau de Cristóvão Colombo e para elaborar um inventário das embarcações naufragadas na zona”.
Acrescentam ainda que a Santa Maria pode estar sepultada sob camadas e camadas de sedimentos ou ter sido lentamente arrastada ao longo de cinco séculos, afastando-se ainda mais da costa do que o esperado, a partir das crónicas e diários da época.

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