Cultura

Nelo Paim celebra no Miami aniversário da carreira artística

Analtino Santos

O multi-instrumentista Nelo Paim está na fase final de preparação do concerto de celebração dos seus 25 anos de carreira musical, agendado para sexta-feira, no Miami Beach, com a presença do irmão Eduardo Paim, Maya Cool, Yuri da Cunha, Euclides da Lomba e Yola Semedo.

Produtor, instrumentista e mentor de inúmeras gravações musicais que perduram no tempo
Fotografia: DR

Para o concerto intimista, músicas como “Kota Mané” e “Minha Ngueve”, das raras onde a voz rouca de Nelo encanta, farão parte de um alinhamento assente em instrumentais de temas produzidos e que marcaram a trajectória musical do artista, casos de “Ximinina”, medley de Zouk, reggae, músicas latinas e a blackmusic.
Da parte dos convidados, presume-se que das três músicas a escolher, “Xikitita”, “Caso de Amor e Ternura”, “Boca Azul”, “Minha Alma”, “Kandengue Atrevido”, temas que têm as suas impressões digitais e autênticos sucessos nas vozes de Eduardo Paím, Euclides da Lomba, Maya Cool, Yola Semedo e Yuri da Cunha, farão parte do alinhamento.
Coube ao guitarrista Texas, que aos 17 anos surgiu como solista de Yuri da Cunha, assumir a direcção artística, uma posição que Nelo Paim vezes sem conta tem a responsabilidade de fazer. Na zona percussiva a opção nas tumbas por Bucho, dos poucos tamboristas jovens que bebeu do Mestre Joãozinho Morgado, e  Jack, um jovem benguelense de apenas 19 anos, ficará com a bateria.
Kappa D (baixo) e Yark Spin (ritmo), instrumentistas em destaque da nova geração, completam a secção dos guitarristas. O cubano Ivan Carrilo será o segundo tecladista e Raquel, outra “habituée” nos coros de vários artistas, completa o conjunto de artistas.
Nelo justificou a aposta nos jovens da seguinte forma: “Comecei muito jovem e foram os mais velhos que me deram oportunidades. Também é uma forma simbólica de passagem de testemunho e incutir responsabilidades a esta geração.”

Voz do Cota Mané
Questionado sobre a presença obrigatória de Eduardo Paim, seu mentor, Nelo fez algumas revelações. “É engraçado que no início o Eduardo não deixava que eu tocasse instrumentos. Era apoiado pelo nosso pai, que não pretendia outro músico na família. Eu aproveitava, quando eles saíam, e lá dava os meus toques. Comecei com a percussão e mais tarde a bateria. O Simmons ensinou-me guitarra e depois aperfeiçoei o baixo, meu instrumento preferido. Penso que é da família, porque o Eduardo também gosta. A base do teclado, poucos sabem, foi-me dada pelo Maya Cool e depois mais cumplicidades surgiram entre nós, já em Lisboa, na Damaia.”
Mais outra revelação foi feita: “Quando as coisas começaram a ficar sérias, foi o Eduardo que me impulsionou a tocar teclado, porque ele precisava de ficar mais livre em palco e sentiu que eu estava maduro. Nesta fase já me dava mais toques e sugestões. Penso que a primeira aparição foi em Coimbra, em 1993. Mas o verdadeiro baptismo aconteceu na discoteca “Ai Ué” e recordo  a frase “se um Paim incomoda muita gente, dois incomodam muitas mais”.
Falando com emoção e gratidão do irmão, Nelo recorda algumas dicas do seu mentor. “Tu não tens de ser como eu. Deves ser melhor que eu. És um jovem inteligente e criativo. Deves deixar a tua marca, por isso vai trabalhar com outros músicos, para beber de outras fontes.”
Facto comprovado por Botto Trindade. “O puto Nelo é muito bom, mas diferente do irmão, que é muito forte na rítmica. Ele capricha nas harmonias e é muito criativo. Apesar da diferença de idades, aprendo muito com ele.”
As primeiras produções acontecem em função da indisponibilidade de Eduardo Paím, porque não conseguia responder à procura e depois passou a ser a opção dos artistas. Por exemplo aconteceu Euclides da Lomba, outro convidado do concerto, porque literalmente acabou por ser um caso de amor.
 “O ainda jovem veio de Cabinda para gravar com o Eduardo, que me indicou para fazer a produção, o que não agradou à primeira. “Caso de Amor e Ternura” foi o primeiro tema da nossa parceria e, quando o Eduardo lhe perguntou  como estavam as coisas, ele respondeu que estavam muito bem encaminhadas. O kota, orgulhoso, disse-lhe  que sabia que estaria em boas mãos. Assim surgiu a nossa parceria.”
Quanto ao Yuri da Cunha, “praticamente eu  lancei-o, num casting para cantor piô. Ele surgiu em grande e tive de o fazer transitar directamente e depois gravou o “Amigo”, mas infelizmente não participei.”

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