Nguxi dos Santos foi homenageado

Francisco Pedro |
18 de Novembro, 2015

Fotografia: João Gomes

O prémio de Melhor Documentário Nacional da sétima edição do Festival Internacional de Cinema de Luanda (FIC LUANDA) foi atribuído ao filme “Crianças Acusadas de Feitiçaria”, de Manuel Narciso “Tonton”, na cerimónia de encerramento que decorreu segunda-feira, à noite, no Cine Atlântico, em Luanda.

O de Melhor Documentário Estrangeiro coube ao “Jogo de Corpo, Capoeira e Ancestralidade”, do realizador brasileiro Mathias Assunção. O filme de Nuno Barreto, “Controlo Remoto”, foi distinguido com o prémio de Melhor Curta-metragem Nacional.
“Tji Tji Himba Girl”, do namibiano Oshoshen Hiveluan, arrebatou o prémio de Melhor Curta-metragem Estrangeira, e para Melhor Longa-metragem estrangeira “Maré Baixa”, do argentino Paulo Pácora.
O júri decidiu não atribuir o prémio de Longa-metragem Nacional por falta de qualidade dos filmes e por considerar que os mesmos apresentam violência gratuita, falta de rigor e investigação.
Antes da divulgação dos galardoados, o cantor Zé Fiche e o grupo Semba Muxima animaram a cerimónia, com a interpretação de algumas canções. Depois da premiação foi exibida a longa-metragem “Os Deuses da Água”, uma co-produção argentina-angolana, que serviu também para homenagear Pedro Ramalhoso, que coordenou a parte angolana no processo das filmagens de algumas cenas no país. Nguxi dos Santos, que nesta edição mereceu uma distinção da organização do FIC LUANDA-2015, pelos seus feitos em prol do cinema e audiovisuais, dedicou a homenagem ao malogrado director do Instituto Angolano de Cinema, Pedro Ramalhoso, que também foi o coordenador do festival.
A jornalista brasileira Adriana Niemeyer, membro do júri, disse ter visto filmes interessantes, alguns dos quais vai propor para concorrerem na próxima edição do Festival de Cinema Itinerante da Língua Portuguesa (Festin), a decorrer em Maio de 2016, em Lisboa. “Falo dos filmes com menos violência, porque a maioria dos  filmes estão carregados de cenas e histórias violentas, muita polícia, tiros, sangue, o que não gostamos. Fiquei com a impressão de que aqui só se vive à volta de questões de polícia, acho que essa época já passou”.
“Acho que os angolanos têm uma criatividade incrível nas artes, por isso os jovens têm que ir um pouco mais além da sua zona de conforto”, disse Adriana Niemeyer.
Na sua opinião, o FIC LUANDA teve uma programação razoável, e pode ser melhorada, mais divulgada e com mais investimentos, envolvendo jovens para ajudarem na organização.
O realizador José Baptista, que concorreu com o documentário “Negócio da China”, afirmou que o festival serve para troca de experiência além da competição. “De qualquer forma precisamos melhorar mais, aumentar a participação de filmes nacionais, e mais documentários”, disse José Baptista, que criticou, por outro lado, a actuação do júri que na sua opinião devia aplicar outros critérios para avaliação de filmes nacionais.
“Acho que o júri devia ter em conta os parcos recursos técnicos e financeiros de que dispõem os realizadores angolanos, se comparando com os estrangeiros, daí ter discordado com o facto de não terem premiado uma longa-metragem nacional”.
O  júri foi constituído por Asdrubal Rebelo da Silva (presidente), José Luís Mendonça, Gilberta Irina Saraiva de Carvalho, Adriana Niemeyer e Manuel Serrano.

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