Cultura

Njinga Mbande ganha monumento de referência

Manuel Albano |

A construção de um monumento em homenagem à soberana Njinga Mbande, a ser erguido na região do Reino do Ndongo, é um projecto do Ministério da Cultura, anunciou, ontem, em Luanda, a titular da pasta.

Ministra Carolina Cerqueira (ao centro) presidiu a palestra no Museu de História Natural
Fotografia: José Cola | Edições Novembro

Em resposta aos apelos feitos pela representante da Família Real do Reino do Ndongo, Catarina Cambulo, durante uma palestra sobre “O legado de Njinga Mbande” e “A trajectória guerreira da Rainha”, no Museu Nacional de História Natural, Carolina Cerqueira  garantiu que a proposta vai ser apresentada ao ministro da Administração do Território, Adão de Almeida.
O monumento  deve ser erguido um dos pontos emblemáticos, onde a Rainha tinha o seu quartel-general, disse  a ministra da Cultura,  e vai simbolizar os feitos da soberana do Reino do Ndongo e Matamba. “Queremos que esse local sirva para honrar todos os soberanos da época e pessoas que marcaram a resistência dos angolanos contra o regime colonizador.”
Carolina Cerqueira explicou que a intenção  é continuar a realizar seminários e palestra, onde se possam recolher o maior número de depoimentos, recorrendo as fontes escritas e orais, no sentido de se construir um monumento que seja consensual. À semelhança do que existe em alguns países, o monumento, disse Carolina Cerqueira, deve procurar ser uma das maiores e mais modernas obras arquitectónicas de referência, não apenas no país, em particular, mas sobretudo, que se torne uma referência na região.
Na  opinião de Carolina Cerqueira, uma das formas para manter viva a memória dos soberanos é divulgar mais os seus feitos sobre a resistência contra a ocupação colonial dos antigos reinos de Angola, onde os documentos postos à sua disposição, devem continuar aumentar os conhecimentos dos estudantes sobre a História do país e poder passar um legado positivo para as novas gerações.
A série “UNESCO mulheres na História de África”, bem como o site da  Internet com o mesmo nome, têm como objectivo dar luz a uma selecção de figuras femininas da História de África. Por essa razão, a ministra da Cultura garantiu aos estudantes que o livro que fala sobre a vida de Njinga  Mbande, vai ser traduzida para português. Com este  projecto,  a  UNESCO  pretende  encorajar   os  estudantes  a  interessarem-se nos estudos de nível superior no domínio da História de África e nas disciplinas conexas (antropologia, linguística e arqueologia), a fim de contribuir para uma historiografia africana mais justa.
 
 Apelo familiar
À margem da palestra sobre as celebrações dos 354 anos da morte da soberana,  17 de Dezembro de 1663, o secretário-geral do Reino do Ndongo, Amador Morais Mulombo, está preocupado com o estado de degradação das vias de acesso aos túmulos de Njinga Mbande e Ngola  Mbande.
Amador Morais Mulombo disse ser necessário que o Executivo, no âmbito do seu programa de reabilitação e construção de novas estradas tenha em conta a reabilitação dessas vias, que vão incentivar e motivar o desenvolvimento do turismo local e cultural.
Na linhagem de sucessão, a Rainha do Reino do Ndongo, Catarina Cambulo Nguiri, disse ser necessário continuar a  trabalhar na transmissão dos valores morais e culturais, bem como a importância do reconhecimento das figuras históricas angolanas.
O escritor John Bella falou sobre “A trajectória guerreira de Njinga Mbande”, enquanto   a historiadora  Luísa de Carvalho abordou o tema “O legado de Njinga Mbande”.
Njinga Mbande (1582-1663), rainha do Ndongo e do Matamba, marcou a História de Angola do século XVII.
Os projectos mercantis europeus, em particular de desenvolvimento do tráfico de escravos na costa da África Austral, alteraram a paisagem política, social e cultural do Reino do Ndongo e de toda a região.

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