Nobel considera os escritores prisioneiros


12 de Dezembro, 2014

Fotografia: AFP

O romancista francês Patrick Modiano, Prémio Nobel de Literatura 2014, explorou o papel do escritor, “testemunha distante do seu tempo”, no seu discurso de recepção do prémio, em Estocolmo.


“Um escritor é marcado de forma indelével pela sua data de nascimento e pelo seu tempo, ainda que não tenha participado directamente na acção política, mesmo que dê a impressão de ser um solitário retirado na sua torre de marfim”, disse o romancista no discurso, lido em francês na imponente sala da Bolsa na Academia Sueca.
“Prisioneiro do seu tempo”, está marcado pela sua percepção da época em que nasceu e em que vive. Patrick Modiano disse ver-se como “um menino da guerra, um menino que deveu o seu nascimento à Paris da ocupação alemã”. Também se vê como um escritor do século XXI que, assim como os seus colegas, pode sentir certa nostalgia dos grandes romancistas do século XIX, já que “o tempo passava mais lentamente que hoje”. Hoje, “as redes sociais reduzem parte da intimidade e do segredo que, até há pouco tempo era o nosso bem, o segredo que dava profundidade às pessoas e podia ser um grande tema romanesco”.
Apesar disso, o escritor não condenou a Internet e a cultura imediatista das redes sociais. “Estou convencido de que os escritores do futuro vão garantir a renovação, como fez cada geração desde Homero”, afirmou. Porque o escritor “manifesta nas suas obras, algo de atemporal”.
Para ele, todo autor é sonâmbulo, vidente, sismógrafo e também artista. Modiano explicou sentir-se próximo de pintores como Modigliani, como os músicos, “que parece que praticam uma arte superior ao romance”.
Modiano é o 15º escritor francês a vencer um Nobel da Literatura. Ele recebeu o prémio das mãos do rei da Suécia, Carlos Gustavo, ao lado de outros vencedores da edição deste ano do Nobel, com excepção do da Paz, que vai ser entregue em Oslo, na Noruega.

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