Cultura

Nove milhões de kwanzas para o desfile do Carnaval

Matias da Costa | Cuito

A comissão provincial preparatória da edição 2020 do Carnaval tem disponíveis nove milhões de kwanzas para a realização da “maior manifestação cultural do povo”, no Bié, anunciou, ontem, o chefe de Departamento da Cultura, Arte e Património Histórico.

Grupos estão à espera de verbas para a aquisição do material para a feitura das indumentárias
Fotografia: Edições Novembro

Isaac Paulino fez o anúncio durante um encontro com responsáveis dos grupos carnavalescos dos nove municípios da província, que serviu para avaliar o grau de prontidão das agremiações na presente edição.

Sem avançar os valores reservados para os prémios por categoria, o responsável salientou que os recursos disponíveis servirão, também, para apoiar os grupos.
Isaac Paulino disse que, “apesar da recessão económica, que tomou conta dos cofres do Estado”, foi possível ao governo do Bié disponibilizar nove milhões de kwanzas, insuficientes para a realização, com êxito, do desfile provincial.
O responsável defendeu uma reflexão com os membros das comissões e núcleos de Carnaval na província, com vista a garantir aos grupo independência financeira. “Existem outras opções de apoios, como o empresariado privado e promotores de eventos, que hoje, aos poucos, vão solidificando a posição no contexto económico e financeiro. Não podemos contar apenas com o Governo para a realização de eventos populares, porque os recursos nunca chegam”, afirmou.
A edição do Carnaval 2020 vai contar com 181 grupos, 81 na classe de adultos e os outros infantis, perfazendo mais de 30 mil integrantes. Para a edição de 2021, Isaac Paulino anunciou, como inovação, a realização do desfile provincial na avenida Sagrada Esperança, com vista a resgatar o Carnaval de rua, em detrimento do Largo da Solidariedade, que acolhe o deste ano.

Indumentárias

A poucos dias da realização do desfile provincial do Carnaval no Bié, os grupos encontram dificuldades na aquisição de sisal e otchimuagem, para a feitura das indumentárias.
O responsável do núcleo carnavalesco do Cunhinga, Ângelo Chitangue, disse que a ausência de verbas é a principal razão da não aquisição, “até ao momento”, do material para o desfile.
Exemplificou que na compra do sisal e otchimuagem, suficientes para cobrir os corpos dos 200 integrantes do grupo, o núcleo terá de gastar, aproximadamente, dois milhões de kwanzas, quando o subsídio disponibilizado aos grupos “é bastante irrisório”.
Velarinho dos Santos, do núcleo da Nharêa, lamentou que os subsídios ainda não estejam à disposição dos grupos, que a disponibilização tardia pode dificultar a aquisição do material e posterior feitura das indumentárias. “Estamos a preparar-nos, esperando que nos próximos dias recebamos apoios, fundamentalmente financeiro, para que a presente edição não seja um fracasso”, disse.

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