Cultura

Novo CD de Bonga chega em Fevereiro

Matadi Makola

Barceló de Carvalho “Bonga Kwenda” anunciou, quinta-feira, em Luanda, que coloca no mercado, em Fevereiro, o seu mais recente disco de originais, com dez temas, mas sem revelar o título.

Próxima proposta discográfica do músico é carregada de calão dos musseques
Fotografia: Francisco Bernardo | Edições Novembro | Arquivo

Bonga falava, em conferência de imprensa de apresentação dos espectáculos, nos quais é artista de cartaz, nomeadamente o Show do Mês, que se realiza, hoje, no Centro de Conferências de Belas, e Muzonguê da Tradição, amanhã, no Centro Cultural e Recreativo Kilamba.
“Estou a gravar um novo disco carregado de musseque e os seus calões, coisas que vamos perdendo em substituição aos sotaques e hábitos alheios. Esse musseque, onde todos nós, sem excepção de ninguém, vivemos. Mas hoje muitos esqueceram-no. Vai ter aquela bacia que aquelas velhas da Ilha tocam no Carnaval e, naturalmente, a minha ‘dikanza de ouro’. Porque vejo que há poucos miúdos que tocam dikanza como eu toco, à moda de um Male Malamba, que acentua a magia do semba”, disse, adiantando um pouco do que este novo álbum.
Sobre os espectáculos que o trazem ao país, mostrou-se regozijado por saber que aqui, na sua terra, ainda o querem tanto, demonstrado pelo facto de os dois espectáculos, Show do Mês e Muzonguê da Tradição, terem lotação esgotada . “Isso também é um pouco da relação com a minha terra, dado que mesmo estando fora, de onde mandei recados, sempre estive em sintonia tanto nos momentos de grande alegria, como de grande aflição”, justificou.
Quanto à sua agenda rotineira, Bonga salientou que jamais esperou que, aos 77 anos, ia ser tão solicitado em vários pontos do mundo. Porém, este defensor assumido da cultura angolana mostra-se triste por na nova geração de músicos “muita falta de sintonia”.
Bonga lamentou, também o facto de até agora o semba não ter sido proposto com candidato à lista de Património Imaterial Cultural da Humanidade da Unesco, à semelhança da morna, género musical típico de Cabo Verde, que foi proclamada na quarta-feira, em Bogotá, Colômbia.
“Tem-se defendido mais o que vem de fora do que aquilo que é realmente nosso, alienando uma postura que já vinha sendo defendida nos tempos de ícones, como Fontes Pereira, Liceu Vieira Dias e outros grandes defensores da cultura angolana”, observou.
Relativamente ao futuro, o músico afirmou que tem a aposentadoria garantida numa das sociedades de autor de que é membro, depois desses mais de 40 anos de palco, onde tocou para pessoas que não entendiam o que dizia, mas eram embaladas pela força do sentimento do canto. Bonga revelou que a aposentadoria ronda os três mil euros por mês.

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