Cultura

“O batuque” abre jornada comemorativa do “Oásis”

Manuel Albano

A peça de teatro “O batuque” do grupo Oásis, que destaca o cancioneiro da província do Huambo, vai ser exibida amanhã, às 20h00, na Base Aérea 2, na cidade do Lubango, província da Huíla, inserida nas comemorações do 31º aniversário do colectivo de artes, que se assinala hoje.

Grupo comemora aniversário com exibições de peça e troca de experiências nas províncias
Fotografia: Edições Novembro

Em declarações, ontem, ao Jornal de Angola, o produtor do grupo, Adão de Oliveira “Rolf”, disse que a digressão é extensiva a outras províncias com o intuito de fomentar o intercâmbio artístico e cultural. 

A peça de teatro “O batuque” revela alguns traços tradicionais dos ovimbundu da província do Huambo. Escrita pelo dramaturgo Africano Cangombe e encenada por António Flor, o espectáculo aborda a preservação de diversos valores culturais do planalto central.
O cancioneiro da região do Huambo, que teve a cidade capital homónima designada por Nova Lisboa, entre 1928 e 1975, domina as cenas da peça.
A história é protagonizada pelo jovem Tchissoca, declarado louco, uma demência que se confunde com a perda de valores culturais por ter oferecido um batuque deixado pelos seus antepassados. O instrumento musical é uma poderosa herança que a personagem principal da história, Tchissoca, entrega deliberadamente ao filho de um visitante, uma atitude que o leva à expulsão da aldeia, pois o batuque, com uma dimensão, valor e símbolo extraordinário, foi relegado para o segundo plano.
O programa reserva para o próximo dia 28, às 15h00, no aeródromo de Canhama, na província do Cunene, a apresentação de extractos de uma peça que narra acontecimentos e relatos dramáticos de pessoas com tuberculose, por forma a sensibilizar os militares e as populações da província.
O grupo comporta 27 pessoas, entre directores e actores e a digressão comemorativa dos 31 anos do Oásis termina em Julho, na cidade de Lobito.

Projectos

Quanto aos projectos artísticos, o grupo Oásis está a negociar com a direcção do espaço Quinta dos Nunes, na Gamek, para a exibição de peças teatrais semanalmente, aos fins-de-semana, mas ainda não houve acordo, segundo o produtor do grupo.
“É um espaço novo que vamos aproveitar para apresentar as nossas obras, dando maior visibilidade ao vasto repertório do grupo.”
Para uma maior divulgação e conhecimento das actividades, o Oásis vai participar no programa “Em Cena”, da Televisão Pública de Angola (TPA). “Vamos aproveitar este programa que tem ajudado a promover os grupos, para darmos a conhecer o nosso trabalho artístico”, disse Adão de Oliveira “Rolf”.
Ao longo das três décadas, o grupo, que procura fazer vincar o lema “Oásis a sua proposta para a tradição, o futuro não deve ser entregue ao acaso”, já se tornou ao longo dos anos numa escola por colocar no mercado vários actores e actrizes, destacando-se Beto Cassua, Walter Cristóvão e o falecido Tito Graça, encenadores dos grupos Etu Lene, Miragens e extinto Lumière.
Na diáspora, existe um projecto denominado “Oásis-Angola” dirigido por Budas da Purificação e outros antigos integrantes do grupo, que residem no Reino Unido. “Isso prova que durante estes anos, o grupo tem mostrado trabalho e contribuído para o desenvolvimento das artes cénicas no país.”
Embora seja um grupo voltado para peças tradicionais, o grupo procura manter-se atento às novas tecnologias e às mudanças registadas no mundo do teatro.

Grupo prestigiado

Formado a 13 de Março de 1988, o Oásis é um dos pioneiros do teatro angolano. Nos anos 80 e 90, fez parte do movimento popular de teatro, que fomentou o surgimento de público na sala do Teatro Avenida, numa altura que as artes dramáticas careciam de divulgação.
O Oásis pertence à Força Aérea Nacional, integrado na Brigada Artística da Força Aérea Nacional, que inclui música e dança. O grupo é, actualmente, dirigido por Maria Isabel “Gueth”.

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