Cultura

“O Batuque” do Oásis exibido no Dia de África

Manuel Albano

A peça de teatro “O Batuque”, do grupo Oásis, um espectáculo dramático feito em homenagem ao cancioneiro do Huambo, é apresentada sábado e domingo, às 19h00, na Casa da Cultura Njinga Mbande, em Luanda, no quadro das comemorações do 25 de Maio, Dia de África.

Colectivo decidiu explorar o cancioneiro do Huambo em espectáculo dramático
Fotografia: Dombele Bernardo | Edições Novembro

O produtor do grupo, Adão de Oliveira “Rolf”, disse, ontem, ao Jornal de Angola, que o Oásis está a exibir o espectáculo em vários palcos pelo país e no estrangeiro, como forma de difundir mais a cultura dos ovimbundus.
“O Batuque”, explicou, revela alguns traços tradicionais da cultura e do folclore dos natos do Huambo. A peça foi escrita pelo dramaturgo Africano Cangombe e encenada por António Flor, para incentivar também a preservação de alguns princípios típicos da cultura do planalto central.
Apesar de ser um drama, o foco principal da peça é o cancioneiro da região do Huambo, que teve a cidade capital designada por Nova Lisboa, entre 1928 e 1975. “O Batuque” conta a história do jovem Tchissoca, que começa a ficar louco depois de ter oferecido um batuque deixado pelos seus antepassados.
O instrumento musical, conta Rolf, surge na peça como uma forma de alertar os jovens para a importância de salvaguardar-se a tradição, em especial àquelas ligadas às suas raízes.
Na peça, o batuque é o símbolo da cultura de um povo, que Tchissoca entrega deliberadamente ao filho de um visitante e, por isso, é expulso da aldeia. “É também uma forma de incentivar a nova geração a prestar mais atenção à dimensão e valor de alguns símbolos tradicionais, na maioria das vezes relegados a um segundo plano, devido à aculturação da globalização.”
O espectáculo, explicou, já foi exibido no 14º Festival Internacional de Teatro de Inverno (FITI), que decorreu de 27 de Maio a 25 Junho de 2017, em Maputo, e este ano nas comemorações do 31º aniversário do grupo, assinalados a 13 de Março. Em-bora tenha sido pouco ence-
nada nos palcos da capital, a peça já foi vista na Huíla, Cunene e Benguela.
A programação da Casa da Cultura inclui ainda a realização, no sábado, dia 25, às 9h00, de uma palestra sobre “África berço do co-nhecimento”, a ser proferida pelo professor Abel Paulo Gamba.

Espaços

Quanto aos projectos artísticos do grupo, Rolf destacou que o Oásis está a negociar palcos para a exibição de espectáculos de teatro com as direcções de alguns espaços de referência da capital, como a “Quinta dos Nunes”, no Gamek, o “Kuxicana”, no Golfe I, e a da Casa da Cul-
tura “Njinga Mbande”, no Rangel. Para uma maior divulgação e conhecimento das suas actividades, realçou, o grupo pretende ainda participar este ano no programa “Em Cena”, da Televisão Pública de Angola (TPA), que tem sido uma mais-valia na promoção dos grupos de teatro.
Ao longo de três décadas, conta, o grupo tem também procurado fazer vincar o seu lema “Oásis a sua proposta para a tradição, o futuro não deve ser entregue ao acaso”. Hoje, o grupo tem sido uma “porta de entrada” ao mercado para vários actores e actrizes, dentre os quais se destaca nomes como Beto Cassua e Walter Cristóvão, encenadores do Etu Lene e Miragens, respectivamente.
Além-fronteiras tem procurado desenvolver o projecto “Oásis -Angola”, sob a responsabilidade de Budas da Purificação e outros integrantes do grupo, que residem no Reino Unido. Embora seja um colectivo mais voltado às peças tradicionais, o Oásis tem procurado manter-se atento às novas tecnologias e às mudanças no mundo do teatro.
Formado a 13 de Março de 1988, o Oásis é um dos pioneiros do teatro angolano. Nos anos 80 e 90, fizeram parte do movimento popular de teatro, que levou ao aumento dos níveis de audiência no Teatro Avenida, numa época em que as artes dramáticas precisavam de divulgação. Pertencente à Força Aérea Nacional, integrado na Brigada Artística da Força Aérea Nacional, o grupo gosta de incluir música e dança nas suas actuações. Actualmente, é dirigido por Maria Isabel “Gueth”.

 

 

 

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