Cultura

“O escritor deve ter o seu lugar cativo na sociedade”

Isaquiel Cori

Eleito secretário-geral da União dos Escritores Angolanos para um mandato de três anos, num pleito disputadíssimo e que registou um número record de votantes, o poeta David Capelenguela fala dos desafios que vai enfrentar no cargo.

O seu discurso é de conciliação e união, num contexto marcado pelas dificuldades financeiras. Um dos desafios abraçados pela lista vencedora, a que ele deu a cara, a par do poeta e ensaísta Luís Kandjimbo, é a valorização do escritor. “O escritor deve ter o seu lugar e valor cativo na sociedade. Deve ser acarinhado e incentivado”, afirma.
O pleito eleitoral foi bastante renhido. Isso é sinal de fractura no seio da instituição?
Longe de ser isso! O nosso país tem conhecido processos muito interessantes para um despertar de consciência, e isso, a meu ver, terá, até certo ponto, contribuído para o resultado das recentes eleições na UEA. No cômputo geral, o sentido crítico da sociedade está mais aguçado, e há, na verdade, maior abertura para que as pessoas se possam manifestar contra ou a favor de algum fenómeno.

O sentido de abstenção foi ultrapassado por esse interesse de manifestação, e os membros da UEA, como não poderia deixar de ser, vieram em massa e votaram. Veja que a média de membros participantes em pleitos eleitorais anteriores foi de longe ultrapassada nestas eleições. Temos tido entre 50% e 65% de membros a votarem, mas desta vez andámos em cerca de 95% do número total de membros. Julgo que foi um bom processo democrático para todos, sobretudo quando, depois da divulgação dos resultados, todos os membros reconhecem que foi um processo com lisura.

Isso é uma demonstração democrática muito grande, nãosó para as outras associações mas para os vários actos democráticos em curso na história recente do nosso país. É verdade que cabe agora à nova direcção trabalhar para uma unificação de facto, onde todos os membros se revejam e se sintam parte de todos os processos, desde a composição dos órgãos, passando pela identificação das actividades, programação e execução. E para isso, quanto a mim, particularmente nas vestes de Secretario-Geral, tudo farei para representar todos os nossos membros.

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