O "adeus" no funeral do músico Chico Coio

Kátia Ramos |
12 de Maio, 2016

Fotografia: José Soares

Os restos mortais do compositor e cantor Chico Coio foram, ontem, a enterrar no cemitério da Santa Ana, em Luanda, numa cerimónia testemunhada por admiradores, colegas e amigos, além dos familiares, do músico que se notabilizou como um dos incentivadores da Música Popular Angolana.

Chico Coio que se afirmou entre as décadas de 1970 e 1980, no bairro Marçal, em Luanda, foi autor de “N’guxi Tuasakidila, “Mama wa Nguivualele” e “N’dalatando”, uma das canções mais conhecidas no panorama nacional.
A União Nacional dos Artistas e Compositor (UNAC) descreveu-o no elogio fúnebre como artista referindo que deu os primeiros passos a partir de 1965 no agrupamento África Ritmos.  O elogio foi apresentado pelo vice-presidente da UNAC, Massano Júnior, tendo considerado que o país perdeu um dos seus melhores executantes. “A música popular angolana perdeu um ícone cujo legado deve ser lembrado”.
Considerado pelos seus contemporãneos como excelente voz do folclórico angolano, por arrastar, desde a época colonial, uma grande moldura humana para as pistas de dança.
No início da sua carreira, o artista manteve-se no anonimato, no seio familiar, durante dez anos, porque os seus pais e padrinhos não permitiam que o mesmo tivesse contacto  com a arte  musical. Prosseguiu os estudos na escola técnica de enfermagem, onde se formou como agente sanitário, entre os primeiros quadros nacionais do ramo.
 O dom de cantar despertou nele muito cedo, e preferiu abraçar uma carreira artística profissional,  passando pelos agrupamentos “Angolenses”, “África Ritmo”, “Dimbangola” e “Os Kiezos”.
Falecido no hospital Josina Machel, aos 61 anos, Chico Coio nasceu em Luanda, foi líder da banda “Dimbangola” durante vários anos. Além de compositor e intérprete, foi baterista e executante de dikanza (reco-reco).
Homenageado em 2015 pela Organização da Mulher Angola (OMA) foi também  distinguido pelo programa radiofónico Caldo do Poeira, promovido pela Rádio Nacional de Angola.
A mensagem do Ministério da Cultura destacou o contributo do músico para a afirmação e promoção do cancioneiro angolano.

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