Cultura

“O Canto do Ossobó” abre Ciclo de Cinema

Mário Cohen

O filme “O Canto do Ossobó”, do realizador são-tomense Silas Tiny, abriu, na noite de quarta-feira, o II Ciclo de Cinema Messu denominado “Geração da Utopia - os Cinemas das Independências”, que decorre até o dia 11 de Outubro, no auditório do Banco Económico, em Luanda.

Realizador e produtor de cinema Jorge António é um dos intervenientes nos debates
Fotografia: João Gomes | Edições Novembro

Durante o Ciclo de Cinema Messu,  é apresentada uma série de filmes produzidos por realizadores africanos que têm como foco as lutas de libertação nacional nos seus países, principalmente os de língua oficial portuguesa.
O filme “O Canto do Ossobó”, cuja antestreia aconteceu quarta-feira na abertura do ciclo de cinema, em Luanda, narra, em 99 minutos, a história do Rio do Ouro e Água-Izé que foram as maiores roças de produção de cacau em São Tomé durante o período colonial português, tendo a sua produção chegado a ser a maior a nível mundial, no princípio do século XX.
De acordo com a sinopse do longa-metragem de Silas Tiny, milhares de homens e mulheres foram marcados pelo trabalho forçado em regime equiparado à escravatura. A roça relembra poder e domínio, injustiça e dor. Hoje, a degradação alastra-se pelo espaço pondo em risco a preservação da memória colectiva são-tomense. Após 30 anos de ausência, Silas Tiny regressou para encontrar os vestígios desse passado.
Além, da exibição do filme “O Conto do Ossobó”, a programação reserva a apresentação de outras seis sessões de cinema de igual número de países, nomeadamente Angola, São Tomé e Príncipe, Moçambique, Itália, Guiné-Bissau e Cabo Verde. Ontem, foi exibido o filme “Deixem-me Ao Menos Subir Às Palmeiras...” de Joaquim Lopes Barbosa.
Hoje, às 18h00, com entradas livres, é exibido o filme “La Vittoria é Certa” do realizador Lionello Massobrio, no qual a norueguesa Randi Krokaa interpreta uma jornalista que entra clandestinamente em Angola para reportar a luta de libertação. Este documentário ficcional, produção da Luanda Cine de Roma e do Departamento de Informação e Propaganda do MPLA, reconstitui as dificuldades vividas no terreno, desde a entrada no país, a necessidade de os clandestinos permanecerem escondidos durante o patrulhamento da Força Aérea portuguesa, até à dura caminhada para o acampamento, numa zona libertada, onde a jornalista registará o quotidiano dos pioneiros do campo de Ngangula, falado em italiano e português.
Consta ainda do programa, a exibição dos filmes “Djambo”, de Chico Carneiro e Catarina Simão, “Kuxa Kanema - O Nascimento do Cinema”, de Margarida Cardoso, “Nelisita”, de Ruy Duarte de Carvalho, “A Embaixada”, de Felipe César, “Pabia di Aos”, de Catarina Laranjeira, “Repúblika”, de César Schofield Cardoso, e “Canhão de Boca”, de Ângelo Lopes. Todas as sessões têm início às 18h00, com entrada livre.
Para os dias 4 e 8 de Outubro, está agendado um ciclo de debates sobre o cinema africano, principalmente para os de língua oficial portuguesa, uma hora antes das sessões dos filmes. No primeiro dia, o debate é sobre o cinema angolano, com José Mena Abrantes (uma das primeiras pessoas a escrever sobre o cinema angolano), Jorge Antónia (realizador e produtor de cinema), Domingos Magalhães (ex-director de Cinemateca) e Mário Bastos (realizador). 
A I edição do ciclo de cinema homenageou o cinema angolano. A actividade é promovida pelo Banco Económico, em parceria com a This Is Not White, com a curadoria da professora universitária, investigadora e programadora de cinema Maria do Carmo Piçarra.
A This is Not a White Cube é uma galeria de arte angolana que representa artistas contemporâneos, angolanos e estrangeiros, com foco em África e no desenvolvimento de projectos artísticos e culturais.

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