Cultura

“O dia seguinte” aborda a paternidade

Manuel Albano |

O quotidiano dos jovens Massoxi e Lemba que resolvem começar uma vida marital, mas devido a dificuldades financeiras vão adiando o momento de gerarem filhos é o foco do espectáculo de teatro do grupo Nguindo Zeto, a ser exibido amanhã, às 20h00, no anfiteatro da escola Alda Lara, em Luanda.

A ideia da produção da peça do colectivo Nguindo Zeto é dar destaque à importância da preservação da vida como o bem universal maior
Fotografia: Edições Novembro |

Uma das forma encontradas pelo casal para evitar ter filhos é a prática de abortos, para afastar mais despesas com a vinda de um outro membro na família. Embora a narrativa da peça, procura mostrar algumas práticas que tem sido muito recorrentes, particularmente com maior incidência nos casais jovens, a ideia da produção do espectáculo é dar destaque a importância da preservação da vida como o bem universal maior.
Tudo corria a perfeição, até ao momento em que tudo se complica na vida do casal Massoxi e Lemba, que alegam  dificuldades diárias como a principal razão e motivação para não gerarem filhos.
Nem mesmo a possibilidade de se poder ter um filho consegue ser um fundamento suficiente e motivador para que o casal mude os seus planos. Os filhos nas relações podem criar várias motivações, ainda assim o casal insiste na interrupção da vinda destes ao mundo.
O espectáculo do grupo Nguindo Zeto transmite a lição de que um filho pode ter diversas utilidades na vida da futura mãe ou futuro pai, como o simples desejo de viver uma experiência de acompanhar a sua formação e desenvolvimento.
“Às vezes um casal em crise planeia ter um filho como forma de resolver um problema entre eles.  Os filhos também têm a função de tornar alguns casais insensíveis e aqueles que muito tempo se dedicam ao trabalho, a se tornarem mais afectivos e sociais”, disse o encenador Fernando Quissola. Durante 45 minutos, a peça procura alertar para alguns aspectos importantes na preservação e promoção dos valores morais e cívicos, espírito de superação, saber viver na adversidade.
Outro aspecto relevante é a implementação de elementos e artefactos tradicionais, numa contexto moderno para abordar temas como: a crise financeira, aborto e esperança de uma vida melhor.
Quatro actores, acompanhados ao ritmo da percussão e dança ,têm a missão de levar à reflexão os contrastes que a vida apresenta ao casal. O elenco é composto pelos actores: Isabel Kiosa, Fernando Quissola, Faria João e Celma dos Santos.
A peça, texto original do dramaturgo português Luís Francisco Rebelo, foi adaptado à realidade angolana pelo encenador Fernando Quissola, com cenografia de Nelson Cabanga e Osvaldo Mateus.
Nguindo Zeto, que traduzido em português significa “Nossos Pensamentos”, é um grupo composto por 12 actores, quatro actrizes e oito actores. Fundado em 26 de Abril de 2009,  a sede do grupo está localizada no município do Cazenga.
O grupo tem como  objectivo  contribuir para a recuperação dos valores e influenciar a juventude para práticas e atitudes que dignifiquem o bom nome e comportamento da juventude.  Têm no seu repertório peças como: “Dez anos Depois”, “Reencontro”, “Bad Kiding” e “Brutalidade em Casa”. Participou em vários iniciativas com destaque para  o Festival Internacional de Teatro do Cazenga (FESTECA) edição 2016 .
Participou em várias campanhas de sensibilização da população, na recolha de resíduos sólidos, HIV Sida, tendo   trabalhado com a Administração Municipal do Cazenga, no Gabinete de Apoio à Juventude (GAJ), no projecto “Eu e a minha comunidade”.
O grupo tem trabalhado com empresas para sensibilizar os trabalhadores sobre a saúde, higiene e segurança no trabalho, assiduidade, pontualidade, tráfico de influências e estado de embriaguez no local do trabalho.

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