Cultura

O simbolismo angolano transportado para a tela

Manuel Albano

“Angola Yetu”, frase em língua nacional quimbundo que em português significa “Angola é Nossa”, é uma das telas que faz parte do projecto artístico “Patriota”, de Guilherme Mampuya, patente até 30 de Setembro no Palácio de Ferro, sede da Trienal de Luanda.

Obra do pintor procura transmitir as relações existentes com outros países
Fotografia: José Soares | Edições Novembro

Composto por  seis telas e três esculturas femininas, com temas interligados, “Angola Yetu” é uma tela que promove o trabalho do seu criador e fundamentalmente aumentar os conhecimentos sobre a história do país.
A tela tem sido a grande referência e a atracção dos visitantes na exposição de arte intitulada “Patriota”, do artista plástico Guilherme Mampuya, patente desde 5 de Agosto, no Palácio de Ferro, inserida na programação da III Trienal de Luanda.
“Angola Yetu” é uma tela que coloca o país no centro das nações interagindo permanentemente nos mais variados domínios, desde o político, económico, cultural e social.
A ideia é mostrar o crescimento do país na perspectiva das trocas comerciais, no passado, presente e futuro. A tela trás a realidade um símbolo forte, que é a descrição da bandeira nacional.
O quadro faz uma retrospectiva desde o período colonial até aos dias actuais. A representação de figuras históricas, o simbolismo artístico, os grupos e subgrupos étnicos, a fauna e a flora são aspectos em que o artista procura apresentar sobre as várias fases em que Angola tem passado.
As cores fortes e vivas procuram transmitir as potencialidades económicas do país, os mares, as terras aráveis, rios e lagos, a tradição dos povos e a riqueza nas suas mais variadas vertentes. A  obra “Angola Yetu” fala igualmente das reacções bilaterais de Angola e o Congo Democrático, Estados Unidos, China, Brasil e Portugal.  A tela fala da importância e localização geográfica como uma Nação da costa ocidental da África, cujo território principal é limitado a norte e a nordeste pela República Democrática do Congo, a leste pela Zâmbia, a sul pela Namíbia e a oeste pelo Oceano Atlântico, onde têm mantido boas relações bilaterais.
A intenção do artista foi produzir um trabalho que espelhasse o patriotismo dos angolanos numa tela que está a ser suportada por uma grade e um cabo que sustenta e interliga todos os países representando os laços de amizade e cooperação entre ambos.
O patriotismo, como a expressão máxima do quatro “Angola Yetu”, é a visão do artista plástico Mampuya, quando alerta aos cidadãos para a importância do nacionalismo como um sentimento de amor e respeito à Pátria e aos seus símbolos, tais como a Bandeira, o Hino Nacional, atitudes de devoção e o espírito de solidariedade que deve une as pessoas em torno de interesses comuns em beneficio da Nação. A história pré e pós-colonial, a política, geografia, demografia, economia, os problemas sociais, a educação, a saúde, a cultura e o desenvolvimento de Angola são alguns dos principais em destaque no quadro “Angola Yetu”.

O patriotismo do artista


A exposição de arte intitulada “Patriota”, do artista plástico Guilherme Mampuya, que reúne nove peças de arte, nomeadamente três estátuas do sexo feminino, que representam o símbolo da vida, e seis redondas, pode ser visitada até 30 de Setembro, de terça-feira a domingo, das 10 às 21 horas, no Palácio de Ferro, inserida na programação da III Trienal de Luanda.
O pintor mostra as suas mais recentes criações artísticas na exposição “Patriota”, que enaltece os valores patrióticos, com vista a incentivar os angolanos a contribuírem para o crescimento do país. As peças são suportadas por grades de ferro inter-ligadas por cabos de aço. Os suportes são a metáfora do patriotismo e do orgulho nacional, disse Guilherme Mampuya, que explicou que “as nações não podem parar quando as relações bilaterais terminam, precisam de arranjar soluções internamente e só é possível com o patriotismo”.
Guilherme Mampuya Wola é natural da província do Uíge. Em 2000, concluiu a formação superior em Direito pela Universidade de Kinshasa na República Democrática do Congo (RDC). Dois anos depois, ingressa no curso de Pintura Básica e mais tarde aperfeiçoa a técnica do retrato no atelier de pintura Honesto Nkunu, em Luanda.

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