Cultura

O último adeus ao historiador e antropólogo Simão Souindoula

Francisco Pedro |

Familiares, colegas e amigos juntam-se, hoje, às 11h00, no cemitério da Santa Ana, em Luanda, para o eterno adeus ao historiador e antropólogo Simão Souindoula, que vai a enterrar.

Corpo do historiador vai esta manhã a enterrar em Luanda
Fotografia: Edições Novembro |

A história das artes angolana e africana, as ciências humanas, em particular a Antropologia Cultural, perderam uma ilustra figura que, há mais de trinta anos, dedicou-se à pesquisa, defesa e divulgação dos valores endógenos quer das sociedades africanas tradicionais, quer da comunidade afro espalhada pelo mundo, com a morte do historiador e antropólogo Simão Souindoula, falecido segunda-feira, em Luanda.
A morte de Simão Souindoula ocorrida, coincidentemente, com os festejos do 8 de Janeiro, Dia Nacional da Cultura, acaba por marcar quão importante foi o historiador e antropólogo, cujo desaparecimento físico dificilmente será esquecido, tanto pelos seus feitos, quanto à data da sua morte.
Conhecido nos círculos científicos por historiador “americanicista”, por abordar com frequência a diáspora afro-americana residente nos Estados Unidos, no Brasil, Chile, Uruguai, Paraguai, Equador,na Argentina,Venezuela, Bolívia, em Cuba e noutras ilhas caribenhas. A herança cultural que os filhos de África levaram, há milhares de anos, para o continente Americano, forçadamente pelo trágico tráfico negreiro e a escravatura, constituiu, nos últimos quinze anos, o principal objecto de estudo de Simão Souindoula.
Viagens atrás de viagens pela América Latina, África ocidental e Europa, além dos Estados Unidos onde participou várias vezes em conferências internacionais, junto de renomados historiadores e pesquisadoras afro-americanas, como Sheila Walker, Simão Souindoula sempre soube representar Angola quer no domínio do projecto “A Rota do Escravo”, da UNES­CO, quer em eventos sobre arte e cultura, como o FESPAM e tantos outros festivais internacionais.
Um dos pioneiros do Centro Internacional de Civiliza­ção e Cultura Bantu (CICIBA), com sede no Gabão, Simão Souindoula destacou-se nas lides artísticas e culturais de cariz científico africano e angolano, com projecção mundial.

Tempo

Multimédia