O universo artístico de Nástio Mosquito

Jomo Fortunato | Lisboa
22 de Dezembro, 2014

Fotografia: Divulgação

Do vídeo à fotografia, passando pela palavra falada, instalações, música, e artes performativas, Nástio Mosquito é um artista inquieto que se desdobra para além do conhecido, dilatando sempre a abrangência artística, e os limites verbais da sua plasticidade criativa.

Singular na transposição artística da sua visão do mundo, Nástio Mosquito demonstrou na apresentação que teve lugar no “Espaço espelho de água”, em Lisboa, no dia 11 de Dezembro, que a dimensão estética da sua obra não cabe em definições simplistas, nem em rótulos estereotipados. 
É no palco, enquanto cenário de exibição e representação, que a música, a imagem, do vídeo-artista Vic Pereiro, e a palavra falada de Nástio Mosquito ganham força artística, e, fundamentalmente, retomam o impacto, muitas vezes incómodo, da sua dimensão satírica. Os recursos têm sido vários e enquadram-se naquilo que, no domínio das novas tecnologias da esfera comunicacional, designam-se por arte multimédia.
Com a força e o ímpeto da arte de Nástio Mosquito, estamos em presença de uma estética que propõe atalhos de reflexão sobre a complexidade da espécie humana, e sobre os destinos do mundo. Quanto mais percebemos a intencionalidade do artista, percebemos que o visível, o aparente e os fenómenos de fácil percepção, não interessam à criação de Nástio Mosquito, pelo contrário, o artista valoriza o invisível, a essência e a reflexão sobre os factos.
Nástio Mosquito estudou em Coimbra e Lisboa, desenvolveu aptidão musical no Hot Club, durante dois anos, seguiu depois para Londres, onde estudou produção em média. Artista de múltiplos recursos tem o mérito de ter exposto no Museu Colecção Bernardo, em Lisboa, e no Tate Modern, Londres.
O júri do prémio “Future generation art prize”, edição 2014, caracterizou deste modo a obra de Nástio Mosquito: “É um artista que combina texto, performance, vídeo e instalação de uma forma distintamente original, reinventando histórias em vinhetas complexas, que evocam uma longa tradição da poesia palavra falada e improvisação musical, trazendo uma dimensão alternativa de experimentação artística, das realidades que preocupam a nossa sociedade global.
A presença de Nástio  Mosquito é poderosa, em relação à dinâmica espacial, e ao humor cortante, desafiando o que consideramos, confortavelmente, familiar.” A obra e as apresentações de Nástio Mosquito têm tido um impacto assinalável junto da imprensa internacional. O jornal The Guardian, por exemplo,  elegeu os “dez artistas africanos que vale a pena dar atenção”, dos quais Nástio Mosquito, foi um dos eleitos.  “Artista multimédia e de performance, que trabalha com música, vídeo e spokenword (palavra falada), Nástio Mosquito brinca com os estereótipos africanos em contextos ocidentais”, escreve o jornal inglês, sublinhando que o trabalho de Mosquito assume “posições políticas e sociais poderosas, levemente desconfortáveis à primeira vista”.
O jornalista do Público, Victor Belanciano, num artigo publicado no dia 30 de Novembro de 2013, a propósito da primeira, das duas noite do  “Festival Vodafone Mexefest”, escreveu o seguinte: “(..) Dilui-se a riqueza luxuriante das canções, ficou o esqueleto, a voz, as palavras e o dizer, às vezes provocatório, outras encantatório, de Nástio, alguém que claramente tem algo a acrescentar à música na língua portuguesa, pelo seu posicionamento artístico e pela atitude perante a realidade”.
Por último, seleccionamos o texto do dia 13 de Março de 2014, assinado pelo jornalista, João Moço, do Diário de Notícias, que considera o CD, “Se eu fosse angolano”, “Uma obra com um olhar plural”: “Este álbum de Nástio Mosquito, não pertence a uma só gaveta estilística. As palavras que canta e dita, que são um processo de questionamento individual mas também do mundo que o rodeia, abordando questões política (Demo da Cracía), o racismo (Escravatura nos pertence), ou a identidade (Desabafo de um qualquer angolano (…).

Distinções

O artista Nástio Mosquito partilhou com Carlos Motta, artista plástico colombiano, a terceira   edição, ex aequo, do “Future generation art prize”, primeiro prémio global para jovens artistas plásticos, até aos 35 anos, no valor de 100 mil dólares. O prémio, anunciado em Kiev, na Ucrânia,  teve como júri nomes importantes da arte contemporânea internacional: Francesco Bonami, Director da 50ª Bienal de Veneza, o artista plástico belga, Jan Fabre, a artista plástica colombiana Doris Salcedo e a curadora e directora do Centro de Arte Contemporânea de Lagos, a nigeriana Bisi Silva.

Discografia

Nástio Mosquito tem dois álbuns editados, “Why do you care” (2012) e “Se Eu Fosse Angolano” (2013), CD apresentado no Festival Músicas do Mundo em Sines.  “Se eu fosse angolano”, segundo o Nástio, “é um convite à reflexão do que é esta Angola plural onde o campo e a cidade se redefinem, onde a sociedade contemporânea toma conta da realidade urbana enquanto nos reinventamos enquanto nação, enquanto sociedade.
Fala-se neste trabalho de relações entre homem e mulher, a nossa relação com o dinheiro, a nossa relação com os mais velhos, o amor que nutrimos pelo nosso país, mesmo com todos os desafios que nos pertencem e muito mais”. A nota de imprensa que anunciava o lançamento da EP, CD e DVD, “Deixa-me Entrar”, no dia 12 de Julho de 2012, no Hotel Globo, caracterizava a obra de Nástio Mosquito, como sendo “um trabalho inovador e emocionante para a música angolana hoje, com conteúdos diferenciados, com bom humor sobre a esperança, optimismo, paz, amor, indecisão, coragem e demais assuntos presentes no quotidiano angolano, sentidos e observados pelo artista”.

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