Obra de Turner é tema de um novo filme


27 de Dezembro, 2014

Fotografia: Divulgação

Com um retrato épico digno de uma obra de arte, o novo filme sobre Joseph William Turner, um dos maiores pintores da história da Grã-Bretanha, está a trazer ao artista romântico uma nova geração de admiradores.

Turner distorceu as convenções do século 19 ao pintar a vitalidade, desafiando as fronteiras do realismo e da abstracção com uma ousadia que antecedia  impressionistas como Monet e Camille Pissarro.
Mais de 150 anos após a morte de Turner, em 1851, o filme “Mr. Turner”, realizado por Mike Leigh, explora a vida do londrino que usou trapos de roupa, cuspo e os dedos para criar alguns dos mais impressionantes quadros britânicos.
Os cinéfilos também podem ver uma exibição dos últimos trabalhos revolucionários de Turner na galeria londrina Tate. “Todos podem encontrar o seu próprio Turner”, disse à Reuters David Brown, curador de arte do Tate dos anos 1790 a 1850. “Ele tem muito a oferecer. É à cor pura e ao entusiasmo do quadro que as pessoas respondem.”
David Brown disse que queria exibir, com a exposição, a largura do trabalho de Turner, levando-o de volta ao seu contexto, mas sem retratá-lo apenas como adepto de movimentos como os utilizados pelos impressionistas e expressionistas abstractos. Às vezes desagradável e até mesmo grosseiro, o Turner do filme de Leigh também pode ser charmoso e divertido, irrompendo numa música para agradar a amante, Sophia Booth.
“Por trás da bravata do artista jaz o seu génio”, explicou e mostrou o realizador numa cena. “Enquanto os maiores artistas da época estavam a dar os retoques finais dos seus trabalhos a serem exibidos na Academia Real, Turner diferenciava-se com quadros de barcos ao mar manchados com borrões de pinceladas de vermelho no centro da peça”, acrescentou. Essa atitude displicente enfurecia o maior rival do artista, John Constable, que trabalhava já há mais de uma década no seu magistral quadro “A abertura da ponte de Waterloo”.
O realizador Mike Leigh é conhecido por passar vários meses com os actores a filmar as suas personagens e usar improvisações para ajudar a desenvolver o argumento. O retrato de Turner concedeu ainda o prémio de melhor actor em Cannes para Timothy Spall e está a gerar especulações sobre um potencial Óscar.

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