Cultura

Obras de Kiluanji kia Henda em mostras na Coreia do Sul

O trabalho de Kiluanji kia Henda é um dos destaques da XII edição da Gwangju Biennale, a ser inaugurada hoje, e da Busan Biennale, que abre amanhã, na Coreia do Sul, e que ficam patentes até 11 de Novembro.

Criador apresenta o potencial das artes plásticas nacionais em várias exposições internacionais

A Gwangju Biennale é composta por uma série de sete exposições em vários espaços da cidade, em que participam cerca de 165 artistas a representar 43 países, com o tema “Imagined Borders” (fronteiras imaginadas). A iniciativa explora o conceito de “fronteira” com o objectivo de reflectir sobre as suas delimitações políticas, culturais, físicas e emocionais na comunidade global.
Neste contexto, Kiluanji kia Henda foi convidado a apresentar “Concrete Affection – Zopo Lady”, uma obra realizada em 2014 e que tem circulado por várias galerias em exposições, desde então. Inspirada no primeiro capítulo do livro do jornalista e escritor polaco Rychard Kapuscinsky, “Another Day of Life” (Mais um Dia de Vida - Angola 1975”, esta é uma instalação de vídeo que retrata a arquitectura moderna de Luanda, tendo como referência o período histórico em que a capital foi completamente abandonada por milhares de pessoas - na sua maioria portugueses e angolanos brancos -, como consequência da Independência de Angola e a longa guerra civil que se seguiu.
Êxodo, migração e colonialismo são temas que aliás atravessam de várias formas as sete exposições, nas quais é possível ainda vivenciar o trabalho de artistas como o realizador tailandês Apichatpong Weerasethakul, vencedor da Palme d’Or de 2010 em Cannes, Shilpa Gupta, Yoshimoto Nara e Ho Tzu Nyen.
Ainda na Coreia do Sul, integrado na Busan Biennale, no Museu de Arte Contemporânea de Busan, Kiluanji kia Henda apresenta a instalação “Ilha de Vénus” e uma série de fotografias intitulada “Homem Novo”, integradas na Busan Biennale, também na Coreia do Sul.
O artista angolano que está presente na exposição colectiva “Divided we Stand”com a curadoria de Jörg Heiser, mostra que pretende reflectir sobre os “sentimentos e condicionamentos provocados pela divisão de territórios, nas mentes das pessoas em geral e nas dos artistas em particular”. A instalação “A Ilha de Vénus” - apresentada também este ano na galeria Hangar, em Lisboa - é composta por uma ilha formada por blocos de cimento e rodeada por um chão negro. Nos plintos dessa ilha, pode-se encontrar pequenas estátuas da mitologia greco-romana envolvidas em “camisas de vénus” e escutar-se ao fundo a voz de Lourdes Van-Dúnem a cantar o tema “Monami” dos Ngola Ritmos.
O artista angolano está a participar também neste momento na segunda edição da Yinchuan Biennale no Moca (Museum of Contemporary Art), na China, que se estende até final deste mês, em Macau, faz parte da colectiva “Alter-Ego” na Exposição Anual de Artes entre a China e os países de língua portuguesa, inserida no Encontro em Macau, e na Nova Zelândia, Kia Henda participa na exposição “Fromwhere I Stand, My Eye Will Send a Light to You in the North”, patente no Te Tuhi Art Center, até 21 de Outubro.

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