"Olongombe" a caminho de Luanda

Francisco Pedro |
23 de Agosto, 2016

Fotografia: Nilo Mateus

A exposição colectiva “Olongombe” encerrou domingo, em Benguela, e está a caminho de Luanda, a última paragem itinerante após as mostras apresentadas nas cidades de Moçâmedes e Lubango.

Em Luanda, a mostra é apresentada dia 1 de Setembro, no Camões-Centro Cultural Português, espaço onde foi lançado o projecto meses antes, e vai permanecer até ao dia 23.
A exposição inclui pintura, escultura, instalação e desenho, retratando vários ambientes das populações do Sul cujos rendimentos provêm da criação de gado, bem como seus costumes, expressões culturais e rituais. “Olongombe” é uma homenagem às populações pastoris do país, através das obras de artes plásticas de António Gonga, Mário Tendinha, António Ole, Paulo Amaral, Masongi Afonso e Paulo Kussy.
A palavra “Olongombe”, na língua umbundo, traduzida em português significa “manada de gado”.Trata-se, também, de uma homenagem ao escritor, antropólogo e cineasta angolano Ruy Duarte de Carvalho, pelos feitos artísticos  e científicos desenvolvidos no Sul de Angola, junto dos criadores de gado.
A iniciativa é de seis artistas plásticos angolanos que pretendem desenvolver trabalhos artísticos cujo motivo central é o gado bovino, considerado nas províncias do sul de Angola, Huíla, Namibe, Cunene, e Benguela, como riqueza de milhares de famílias.
Segundo o porta-voz, Paulo Amaral, a intenção dos artistas é levar ao público dessas regiões diferentes técnicas e suportes da arte, baseadas nas tradições culturais desses povos, de modo a despertar à pesquisa dos diversos aspectos de cada região. O projecto, que tem apoio do Camões- Centro Cultural Português, segundo a sua directora da instituição, Teresa Mateus, remete-nos incontornavelmente para a obra de Ruy Duarte de Carvalho.
O gado é figura central e riqueza maior dos povos Kuvale, tão bem descrito por Ruy Duarte de Carvalho na sua obra “Vou lá visitar pastores”, que transforma  em poesia “memórias históricas, migrações, pastagens, solos, climas, percursos milenares, rumos traçados por gerações, há muito extintas, legados e destinos, num quotidiano animado pela urgência  das transumâncias”.

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