Cultura

"Paisagens propícias" narra vida dos kuepe

Manuel Albano

A união entre a dança contemporânea e a filosofia de vida das populações do Sul do país são o tema do documentário “Paisagens Propícias”, de Jorge António, exibido na segunda-feira, no auditório Pepetela, em Luanda.

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Fotografia: Contreiras Pipas | Edições Novembro

O filme abriu o ciclo Jorge António - Filmar (em) Angola e resulta de uma pesquisa e reinterpretação do livro ho-mónimo de Ruy Duarte de Carvalho, lançado em 2005.
A curta-metragem foi produzida durante um “laboratório de criação” realizado pela Companhia de Dança Contemporânea de Angola (CDC), em 2012, do qual Jorge António assumiu a produção executiva, fruto da relação pessoal que mantém há mais de vinte anos com a investigadora, bailarina e coreógrafa, Ana Clara Guerra Marques.
“Paisagens Propícias” tem 25 minutos, acompanha o trabalho de preparação da CDC, cuja coreografia é de Rui Lopes Graça, com música original de João Lucas. Do ponto de vista técnico, o filme explora novos cenários, além da vi-vência, hábitos e costumes dos kuepe e sugere uma viagem ao passado, presente e futuro, particularmente para os habitantes do Sul.
A qualidade das imagens e efeitos sonoros, demonstram o profissionalismo de mais de 30 anos, entre Luanda e Lisboa. A prática da pastorícia dos kuepe, os compassos da massemba coreografados pela CDC, num processo de estilização, incorporam, também, a ousadia narrativa de Jorge António na divulgação da cultura angolana.
Embora o cinema no país ainda não faça parte da agen-da cultural de muitos angolanos, Jorge António mostrou-
-se satisfeito com a presença dos espectadores. “É uma honra ver a sala praticamen-te cheia, o que demonstra o carinho e respeito que o pú-blico começa a ter pelo traba-lho produzido pelos realiza-
dores”, disse.

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