Cultura

Palco do Teatro Elinga recebe Rei Mandume

Manuel Albano

A história do Rei Mandume, que lutou para manter o seu estado independente da ocupação colonial, estreia amanhã, às 20h00, no Teatro Elinga, num espectáculo montado pelo grupo Diassonama.

Grupo tem montado espectáculo de teatro sobre as figuras históricas nacionais
Fotografia: Paulino Damião | Edições Novembro

Enquadrado na programação do Circuito Internacional de Teatro (CIT), que decorre até o dia 17 de Setembro, nas salas de espectáculos da Liga Africana e Teatro Elinga, o espectáculo intitulado “Mandume-ya-Ndemufayo” narra a vida e obra de um soberano que se suicidou em nome da pátria, disse, ontem ao Jornal de Angola, o director e encenador do grupo.
Numa adaptação e encenação de Elias Pedro “Itoa”, “Mandume-ya-Ndemufayo” é uma peça que levou a um trabalho de investigação de aproximadamente um ano. Interpretada por oito actores em 50 minutos, os espectadores vão poder estar em contacto com a história de um líder e guerreiro que resistiu à ocupação no sul de Angola, século XX.
Enquadrada nas comemorativas do centenário da morte do soberano cuanhama (1917-2017), o espectáculo de teatro, disse o encenador Elias Pedro, procura documentar  os soberanos em Angola, que precisam de ser do conhecimento público, particularmente dos estudantes.
Elias Pedro disse que uma das formas de manter viva a memória do soberano é divulgar mais os seus feitos sobre a resistência contra a ocupação colonial dos antigos reinos de Angola. A peça, descreve o encenador do Diassonama, lança um desafio aos estudantes e público em geral no sentido de explorarem a obra, como forma de aumentar os seus conhecimentos sobre a história do país e poder passar um legado positivo para as novas gerações.
Há quatro anos que o grupo tem promovido e montado peças que falam sobre a vida e obra de várias figuras importantes da história do país.
O primeiro Presidente de Angola, António Agostinho Neto, e os feitos políticos do comandante José Mendes de Carvalho (Hoji-ya-Henda), considerado patrono da juventude angolana também já foram transpostos para o teatro pelo Diassonama, inserido no trabalho investigação e divulgação dos heróis nacionais. “Temos que continuar a incentivar a pesquisa, por forma a motivar as pessoas a interessarem-se mais sobre a vida e obra dos nossos heróis”, afirmou Elias Pedro.
A peça conta o percurso do Rei Mandume, que sempre lutou para manter o seu estado num território independente da ocupação colonial, fazendo uma reflexão dos últimos anos da vida do soberano, as suas acções de resistência pela via armada e diplomática.
O modelo de gestão do seu território, as técnicas de guerra e as tomadas de medidas políticas e económicas vão, igualmente, ser revistados durante a peça que tem a duração aproximada de 50 minutos, disse o encenador, que acrescentou terem sido feitas deslocação à província do Cunene, na localidade de Namacunde para se obter mais informações sobre a vida de uma das maiores referências da história angolana.

Perfil do colectivo de artes


O grupo Diassonama, foi fundado em 1999, na Paróquia de São Joaquim. Actualmente é composto por oito elementos e tem no seu repertório as peças, “Os Filhos da Tragédia”, “O Mulherengo”, “O Panina”, “Por Amor”, “Entre um quarto e sala”, “Tudo lá Djum”, “O Santo Luandino”, “A Filha do Pai”, “A Ninfomania” e “A Outra Face”. Brevemente vai estrear a peça “O Quarto”.
O grupo classificou-se em terceiro lugar no Prémio de Teatro Cidade de Luanda, em 2004, com a peça “O Santo Luandino”, venceu duas edições do Prémio da DSTV (melhor grupo e a peça mais popular do mês, em Fevereiro e Abril de 2006, com as peças “O Mulherengo” e “O Panina” ) e participou na terceira edição do Festival Vozes de África, na província do Huambo.

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