Palestra aborda valores cívicos e morais na juventude

Jomo Fortunato |
31 de Agosto, 2015

Fotografia: Kindala Manuel



 “Valores cívicos e morais em torno da juventude” foi um dos temas em discussão no ciclo de palestras e debates da Feira Internacional do Livro e do Disco, que decorreu de 24 a 30 de Agosto, no CEJOFOR, Centro de Formação de Jornalistas, em sessão orientada pela socióloga e docente universitária, Fátima Viegas.
Fátima Viegas começou a sua palestra com uma citação do Presidente da República, José Eduardo dos Santos, extraída do discurso proferido no “Encontro com as associações juvenis e estudantis”, realizado no dia 21 de Junho de 2013, ocasião em que o Chefe do Executivo afirmou o seguinte: “Em todas as etapas e fases da nossa história, a juventude foi sempre a força principal em que os dirigentes máximos se apoiaram para conseguir transformar a sociedade”.
De facto, nos últimos tempos a preocupação com a consolidação dos valores cívicos, e necessidade de uma educação para a cidadania passou a ocupar um lugar de reflexão e de debate, quer pelo Estado, quer pela sociedade civil angolana, nas suas mais variadas formas e estratégias, argumentou a docente universitária.
Fátima Viegas apontou ainda, no âmbito da importância dos valores morais e cívicos, três factores que propiciam a violência doméstica, tendo ressaltado: os individuais, excesso de bebidas alcoólicas, desemprego, baixo salário, ter sido vítima de violência quando criança, distúrbio de personalidade, e baixa auto-estima, os comunitários, pobreza, baixo capital social, ausência de redes de apoio à vítima, os relacionais, vida familiar precária, instabilidade conjugal, pressões sociais, posição na rede de parentesco, e os culturais, normas tradicionais, doutrinas religiosas fundamentalistas, e valores sociais que apoiam a violência.
No decurso da sua dissertação, Fátima Viegas fez lembrar “que o êxodo do campo para as cidades e a fixação das pessoas à procura de empregos e outros meios de subsistência, sobretudo em Luanda, determinou o crescimento desordenado da cidade capital para além das suas fronteiras nucleares, entenda-se urbanas, bem como a perda de valores fundamentais à constituição da consciência de grupo familiar”.

Palestras

Durante o ciclo de palestras e debates da Feira Internacional do Livro e do Disco, para além da abordagem de questões relacionadas com os  “Valores cívicos e morais em torno da juventude”, de Fátima Viegas, estiveram em debate vários temas, sendo o foro editorial orientado pelo Secretário-geral da União dos Escritores Angolanos, Carmo Neto, que fez um balanço das edições da sua instituição, e comunicacional com o tema, “O jornalismo e as redes sociais”, desenvolvido pelo Padre Benedito Kapiñgala. A história da Música Popular Angolana esteve a cargo do nacionalista, Amadeu Amorim, que lembrou a “História do Ngola Ritmos”, tendo o professor universitário António Quino falado da “Multidisciplinaridade na literatura comparada”. No domínio da gastronomia, o cantor, actor e gastrónomo, Cirineu Bastos, dirigiu uma sessão teórica e prática de confecção de “kitutes” da terra: “kibeba”, “kitande”, “kipico”, “kixiluanda”, “kitaba”, “kifufutila”, “kitoto”, e “kissângua”.

Percurso

Filha de José Francisco Republicano e de Mariana Josefina Republicano, Maria de Fátima Republicano de Lima Viegas nasceu na Província do Namibe, Porto Alexandre, Tômbwa, no dia 19 de Fevereiro de 1950. Licenciada em Sociologia, é professora associada da Universidade Agostinho Neto, investigadora, regente das disciplinas do seminário especializado, em sociologia das religiões e sociologia das medicinas, no ISCED, Instituto Superior de Ciências da Educação. Doutorada em Ciências Sociais, mestre em sociologia do desenvolvimento, pós graduada em sociologia das religiões, Fátima Viegas é licenciada em investigação social aplicada, Professora colaboradora da Faculdade de Ciências Sociais, no curso de Mestrado em Sociologia, e lecciona no Seminário Família e Mudança Social. O seu trabalho de investigação está centrado no estudo dos processos sociais mais recentes, designadamente, o estudo dos novos movimentos religiosos em angola, o papel social e político das igrejas africanas independentes em angola no contexto das transições políticas, económicas e sociais e no estudo dos problemas sociais, delinquência, violência doméstica, fragilidade dos valores cívicos e morais, que o país tem vindo a atravessar.

Conclusões

Segundo a socióloga Fátima Viegas, a expectativa para uma juventude sã, equilibrada e participativa está voltada para um combate perseverante à pobreza, ao desemprego e à promoção de um diálogo social permanente. A docente defende que a juventude necessita de referências positivas, e que a família deve desempenhar o seu papel como educadora e transmissora de valores. A escola, por sua vez, deve apostar numa educação de qualidade, que possa promover o bem-estar e o desenvolvimento. Outro agente de socialização chamado a intervir é a igreja que deve agir com base nos princípios cristãos de tolerância, respeito pela dignidade humana e amor ao próximo, contribuindo para a formação espiritual e construção de novas mentalidades.
Fátima Viegas concluiu dizendo que “só assim se poderá alcançar uma sociedade harmoniosa e coerente em que os agentes conheçam e cumpram os seus papéis em todas as suas dimensões, sobretudo a educativa, sem deixar de lado a familiar e o social. Podemos dizer que não obstante os sinais de crise de valores cívicos e morais, a que teimosamente assolam no seio da juventude, ela no geral aspira e luta por comportamentos de Paz, Harmonia e Bem-estar para uma sociedade mais justa equilibrada e harmoniosa. Todavia, se queremos um futuro melhor para a nossa juventude temos de compreender que os primeiros responsáveis pela sua construção somos nós, os adultos.

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