"Papéis da Prisão" é uma ferramenta de leitura


31 de Março, 2016

Fotografia: Paulino Damião

“Papéis da Prisão: apontamento, diário, correspondência (1962-1971)”, o novo livro de José Luandino Vieira é, para o nacionalista Amadeu Amorim, uma ferramenta de leitura obrigatória para a juventude angolanA, por representar a continuidade da História da luta dos angolanos.

O nacionalista, que fez a apresentação do livro, terça-feira, e o assinou na ausência do autor, considerou o livro importante por ajudar a juventude a ter noção das dificuldades vividas para o alcance da Independência.
“Hoje somos livres, tenho bilhete de identidade e passaporte e posso ir a qualquer parte do mundo com a cabeça erguida. Já não sou mais um colonizado. Porém, todo o horror que os presos passaram nas cadeias devem ser testemunhos vivos para os angolanos, em particular para os jovens aprenderem a respeitar a liberdade”, disse Amadeu Amorim.
Para o nacionalista, o livro “Papéis da Prisão”, cujo   lançamento decorreu na União dos Escritores Angolanos, em Luanda, precisa de uma maior divulgação, por mostrar um novo ponto de vista sobre a História de Libertação do país. “Temos de o encarar como um documento histórico e não como um romance”, apelou o apresentador do livro.
Amadeu Amorim adiantou  que os apontamentos de Luandino Vieira, escritos durante o tempo em que esteve na cadeia, retratam o sofrimento passado por muitos para alcançar um sonho comum. “Muitos dos detidos na época chegaram  a enlouquecer de tantos castigos durante o interrogatório. É preciso não esquecer isso”, sublinhou.
Para a ministra da Cultura, Luandino Vieira é uma referência da literatura nacional e o livro uma mostra das dificuldades vividas pelos nacionalistas angolanos na luta pela Independência. “É igualmente um importante contributo para a História do país”, acrescentou.
Carolina Cerqueira disse que com o livro, no qual o escritor revela detalhes  desconhecidos sobre a realidade vivida pelos angolanos na Colónia Penal do Tarrafal, o acervo documental nacional ganha um contributo.  

Livros no mercado

Luandino Vieira tem várias obras publicadas, com destaque para “A cidade e a infância”, “Duas histórias de pequenos burgueses”, “Luuanda”, “Vidas novas”, “Velhas histórias”, “Duas histórias”, “No antigamente, na vida”, “Macandumba”, “Lourentinho, Dona Antónia de Sousa Neto & eu”, “História da baciazinha de Quitaba”, “A vida verdadeira de Domingos Xavier”, “João Vêncio: Os seus amores”, “Nosso Musseque”, “Nós, os do Makulusu”, “O livro dos rios”, “A guerra dos fazedores de chuva com os caçadores de nuvens. Guerra para crianças”, “Kapapa: pássaros e peixes” e “À espera do luar”. O escritor já conquistou vários prémios, a nível nacional e internacional, com destaque para o Prémio Camões de Literatura, em 2006, o de Novelística da Sociedade Portuguesa de Escritores, em 1965, o da Sociedade Cultural de Angola, em 1961, o Prémio Casa dos Estudantes do Império, em 1963, o Prémio Mota Veiga, em 1963, e o Prémio  da Associação dos Naturais de Angola, em 1963.
Luandino Vieira é um dos membros fundadores da União dos Escritores Angolanos (UEA), onde exerceu a função de secretário-geral, desde a fundação da instituição, no dia  10 de Dezembro de 1975, até 31 de Dezembro de 1980.
O escritor foi ainda secretário-geral adjunto da Associação dos Escritores Afro-asiáticos, de 1979 a 1984, e de novo secretário-geral da UEA, de 1985 a 1992.  
O novo livro do escritor “Papéis da Prisão: apontamento, diário, correspondência (1962-1971)”, editado pela Texto Editores, foi publicado no âmbito do 57.º aniversário do “Processo dos Cinquenta”.
Durante os anos de cárcere, José Luandino Vieira compilou um acervo de textos constituído por 17 cadernos hoje publicados em livro.
O processo de escrita destes papéis tem como termo cronológico e fronteiras a entrada de José Luandino Vieira no Pavilhão Prisional da PIDE em Luanda (1961) e a sua saída do Campo de Tarrafal (1972).

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