Cultura

Actividades do FestiNeto decorrem no Memorial

Francisco Pedro |

As autoridades tradicionais de Icolo e Bengo realizaram, no domingo, em Catete, uma homenagem ao Kilamba, nome cultural atribuído à figura do primeiro Presidente, António Agostinho Neto.

Membros da direcção da Fundação Dr. António Agostinho Neto instituição que organiza anualmente o FestiNeto
Fotografia: Dombele Bernardo | Edições Novembro

A homenagem, embora tenha sido curta, mas de profundo significado antropológico e cultural, se cingiu num ritual feito ao redor do busto de Neto, que está defronte ao Centro Cultural Dr. António Agostinho Neto.
A parte superior do busto foi coberta de ramos de palmeira, deixando o rosto descoberto, sendo a base ungida com uma bebida espirituosa enquanto eram evocadas, em língua kimbundo, palavras de fortalecimento, engrandecimento e vários apelos aos espíritos ancestrais.
Sob o olhar atento de familiares do Presidente António Agostinho Neto, do administrador de Catete, Adriano Mendes de Carvalho, da população de Catete, de membros do Executivo e de representantes das embaixadas de Cabo Verde, São Tomé e Príncipe e Rússia, a cerimónia foi precedida pela deposição de uma coroa de flores no busto de Agostinho Neto, logo à entrada da vila de Catete, acto realizado pela filha, Irene Neto.
Já no decurso da animação cultural, que decorreu no auditório do centro cultural, foram exibidos quatro capítulos de filmes-documentário sobre a vida e a obra de Agostinho Neto, produzidos em 2008, pela Dread Loocks, sob a coordenação da Fundação Dr. António Agostinho Neto. 
Antes da exibição dos filmes, o administrador municipal de Catete, Adriano Mendes de Carvalho, deu as boas vindas aos participantes e lembrou que, do legado de Agostinho Neto, o mais importante é o 11 de Novembro por ser uma data histórica e marcante, positiva para todos os angolanos.
“Somos angolanos e nos sentimos angolanos graças à proclamação da Independência Nacional, a 11 de Novembro de 1975, na voz do saudoso Presidente Dr. António Agostinho Neto”, antes, prosseguiu, “éramos portugueses, mas foi com Neto que conseguimos dizer: somos livres”, sem deixar de apelar maior participação dos angolanos no FestiNeto.
Por sua vez, a presidente da Fundação Dr. António Agostinho Neto, Irene Neto, considerou o acto “um tributo pequeno, mas muito simbólico, pois revela não só os feitos individuais de Agostinho Neto, mas de uma nação, que continua num processo de consolidação para o alcance da harmonia.”

Outras actividades

Este ano, a sétima edição do Festineto decorre por ocasião das comemorações do 95º aniversário do nascimento do Presidente António Agostinho Neto.
A actividade é organizada pela Fundação António Agostinho Neto (FAAN) e tem como objectivo divulgar a vida e obra do Estadista, médico e humanista, poeta e homem de cultura, António Agostinho Neto, como referência às sucessivas gerações de jovens angolanos.
O Parque da Independência, em Luanda, acolhe de 15 a 17, a Feira de Literatura, Cultura e Artes, com exposição de vários artefactos.  As actividades vão decorrer até ao fim do mês  e incluem  uma exposição biográfica apresentada no Belas Shopping, denominada “Vida de Agostinho Neto em Banda Desenhada”.Está igualmente prevista uma exposição internacional de gastronomia e cultura, em que vão participar duas dezenas de países, através das suas embaixadas acreditadas em Angola, onde os representantes dos países convidados vão exibir o melhor da sua culinária em sessões de degustação, bem como a apresentação de trajes típicos e outras manifestações artísticas dos respectivos países.
Ontem, foi lançado o livro “Exílios-testemunho de exilados e desertores portugueses na Europa, 1961-1974”, no Memorial António Agostinho Neto, e o DVD “Cubanos falam de Agostinho Neto”, seguido da outorga de honra ao Poeta Maior, pela Associação dos Caimaneros.
O auditório Pepetela do Camões-Centro Cultural Português, acolheu, dia 6, um recital de poesia denominado “Reviver a poesia de Neto”, com o poeta Universo Mavambo, que declamou “Caminho do mato”, “Para enfeitar os teus cabelos”, “Noites no mato” e “Não me peças sorrisos”.  O  poeta Kapa Afonso  declamou “Um poema para mim” e  “Adeus à hora da largada”, houve ainda música pelos alunos do Instituto Superior de Artes,  pelo artista Izau Fortunato, que interpretou “Aleluia” e “Renúncia impossível”,  e pelo artista Fernando Jessy, que interpretou “Maquiezo” e “Mufete”.

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