Cultura

Artistas clamam por indústria

Kátia Ramos

A falta de políticas culturais concretas, capazes de permitir o surgimento de uma indústria criativa nacional mais forte, é um dos principais empecilhos ao desenvolvimento das artes, defenderam vários artistas, num encontro realizado na Mediateca de Luanda.

Encenador Adelino Caracol pede mais atenção à classe
Fotografia: Miqueias Machangongo | Edições Novembro

Para o encenador e director do Horizonte Njinga Mbande, Adelino Caracol, apesar dos avanços que os colectivos de teatro nacional têm feito, mesmo sem condições, para preservarem a arte, ainda não se pode viver apenas como artista em Angola.
A solução do problema, continuou, passa pela implementação de políticas mais concretas a nível da cultura e de um estudo exaustivo para que as mesmas possam favorecer, acima de tudo, a classe. “Até hoje, ainda há pouco apoio aos projectos culturais de muitos agentes e artistas, alguns dos quais benéficos às comunidades.”
As políticas sociais que existem, criticou, praticamente não se fazem sentir e as existentes andam engavetadas. “Claro, que já há um pouco de mudanças a nível do Ministério da Cultura, mas é preciso que os responsáveis vão ao encontro dos fazedores de cultura ver o trabalho destes. Só assim, a arte e os artistas vão começar a ser mais valorizados”, salientou.
Numa fase em que se procura reforçar a aposta na qualidade do produto artístico, não tem como justificar, na opinião de Adelino Caracol, o facto de muitos agentes cultuais e artistas continuarem a debater-se com o problema de falta de financiamento.
“O Ministério da Cultura deveria se preocupar mais com a situação do artista, pois muitos destes têm famílias e continuam sem ter como garantir o sustento destes. A maioria dos criadores está disposta, por amor à arte, a dar seguimento da carreira e muitos já começam a fazer apostas fortes na formação. Porém, as frustrações causadas pelas dificuldades económicas tendem a atrasá-los mais. É uma situação que precisa ser superada”, disse.
Outro problema, apontou, é a falta de organização existente entre os artistas, embora tal não se faça sentir em determinados sectores. “Porém, a falta de verbas afecta a todos, de tal forma que o artista não consiga viver da produção, apenas sobreviver da renda das vendas”, lamentou.
O director adjunto do Instituto Nacional das Indústrias Culturais, Michel Kanianga, participou no encontro e chamou atenção ao papel dos agentes e artistas na afirmação e preservação da identidade e no fomento do turismo, em qualquer país.
As indústrias culturais, destacou, têm um papel preponderante no desenvolvimento do sector e na geração de postos de trabalho, por isso a implementação é uma luta que envolve todos.

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