Artistas solidários no Comboio Cultural

Manuel Albano| Dondo
21 de Setembro, 2014

Fotografia: Paulino Damião

Alexandra Aparício, coordenadora da comissão executiva dos colóquios do II FENACULT, enalteceu, no município de Cambambe, no Dondo, o empenho e espírito de solidariedade entre os artistas angolanos durante a realização dos Comboios Culturais.

A responsável disse, em entrevista ao Jornal de Angola, que os artistas souberam dignificar o espírito que caracteriza os Comboios Culturais, cujo objectivo foi mostrar às populações a riqueza e diversidade cultural do país, nos domínios da dança, teatro, música, literatura, humor e artes plásticas.
Os artistas, destacou, conseguiram transmitir às populações por onde passaram que a cultura angolana continua viva e presente na vida dos cidadãos. “A ideia dos Comboios Culturais foi criar intercâmbio entre as culturas dos mais variados povos de Angola”, exaltou.
Referiu que os jovens artistas estão a ajudar a preservar os ritmos culturais angolanos transmitidos de geração a geração. “É gratificante ver a juventude com vontade de mostrar o que de melhor se faz culturalmente nas suas províncias” destacou.
Orlando Domingos, coordenador adjunto para a área artística do Comboio Cultural, disse ao Jornal de Angola que a última viagem no troço Luanda-Dondo-Luanda foi constituída por 75 artistas, entre músicos, dançarinos, actores, humoristas, escritores e artistas plásticos.
Orlando Domingos referiu que o festival foi positivo por permitir aproximar os artistas e dar a possibilidade do público ter acesso às artes. “Seria difícil noutras situações congregar várias culturas, com o objectivo de interagirem”.
José Kafala, que também integrou o Comboio Cultural, mostrou-se satisfeito pela dinâmica que foi dada às actividades culturais do FENACULT em todo o país. “Desta forma estamos a criar factos culturais e a permitir que as próximas gerações possam ter um legado do que se fez ao longo dos anos”.

Literatura no Comboio

O escritor Akiz Neto, coordenador da exposição móvel de venda de livros, disse que estiveram patentes no Comboio Cultural livros de escritores angolanos membros da União dos Escritores Angolanos (UEA) e Brigada Jovem de Literatura de Angola (BJLA), com destaque para Pepetela, António Agostinho Neto e Uanhenga Xitu.
Estão ainda patentes livros dos escritores António de Assis Júnior, Castro Soromenho e Boaventura Cardoso. “Muitas pessoas tiveram a oportunidade de comprar livros por onde o comboio passou, permitindo aumentar o seu acervo bibliográfico”, disse o também membro da União dos Escritores Angolanos (UEA).
A gastronomia angolana também esteve presente ao longo da realização do Comboio Cultural, como confirmou à nossa reportagem João Gomes, o responsável pela alimentação do membros da caravana.

Preservação da literatura oral

 
O escritor Mangel Faria destacou quinta-feira, no Dondo, a importância de valorizar e revitalizar a literatura oral, para permitir a sua preservação no país.
Ao dissertar sobre o tema “O papel do provérbio na educação ambundu”, na escola Magistério Primário do Dondo, disse ser necessário promover encontros que ajudam a juventude a perceber a importância da valorização das línguas nacionais na transmissão de conhecimentos entre gerações.
Realçou que a juventude precisa valorizar mais as línguas nacionais, permitindo criar uma maior união e irmandade entre as comunidades. “Os provérbios têm ensinamentos que nos ajudam a moldar os nossos comportamentos na sociedade”, disse. Apelou aos estudantes a serem mais participativos nas aulas e a pesquisarem mais, de maneira a terem conhecimentos sólidos sobre os vários fenómenos sociais, políticos, económicos, desportivos e culturais que ocorrem no mundo.
O orador apresentou alguns ensinamentos em provérbios em ambundu, que são a base de transmissão de conhecimentos entre os adultos e a juventude nas comunidades rurais, sobre educação ecológica e ambiental, cultural, familiar e linguística.
Mangel Faria disse que uma sociedade para se desenvolver precisa de fazer investimentos nos seus quadros. “Os jovens precisam de orientação e transmissão constante de conhecimentos, por formas a permiti-los criar a sua própria personalidade”. Explicou ser importante que os mais velhos continuem a transmitir a sabedoria aos jovens por serem considerados “bibliotecas vivas”. “Um povo que não domina a sua própria cultura corre o risco de cair no esquecimento e facilmente pode ser aculturado”.

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