Batalha de Ambuíla tem marco em Zonda

Nicodemos Paulo| Uíge
20 de Abril, 2015

Fotografia: Mavitidi Mulaza| Uíge

A ministra da Cultura, Rosa Cruz e Silva, descerrou sábado, na localidade de Zonda, município de Dange Quitexe, a placa de identificação do local onde decorreu a Batalha de Ambuíla em Outubro de 1665, em reconhecimento à importância histórica da resistência e heroicidade do antigo rei do Congo, D. Vita Nkanga.

O marco foi colocado no âmbito das comemorações do Dia dos Monumentos e Sítios e do 350º aniversário da Batalha de Ambuíla. A ministra da Cultura disse, na ocasião, que o local foi descoberto depois de intensos trabalhos de pesquisa e recolha dos achados arqueológicos, além de consultas bibliográficas e depoimentos feitos pelas autoridades tradicionais locais.
No acto central alusivo às comemorações do Dia dos Monumentos e Sítios, Rosa Cruz e Silva afirmou que o descerrar da placa é o princípio de uma era de investigação sobre a Batalha de Ambuíla, que teve lugar numa altura em que o Reino do Congo estava a ser fortemente pressionado pelas autoridades portuguesas que faziam exigências inaceitáveis ao rei Vita Nkanga.
O rei declarou guerra aos portugueses no dia 13 de Julho de 1665, convocando para tal todas as províncias do reino e estados vizinhos. A 29 de Outubro, os exércitos confluíram para a região de Ambuíla onde no final das confrontações o exército do Congo foi vencido e o rei decapitado.
Apesar da derrota, a ministra Rosa Cruz e Silva afirmou que a coragem, tenacidade e espírito de unidade manifestada na época pelo povo, que se juntou ao rei do Congo em defesa da sua soberania, é digno de realce e um legado histórico. Cabe às novas gerações investigar aquilo que de facto se passou em Ambuíla.
De acordo com a ministra, a História não se pode limitar aos relatos académicos do passado e nem ao testemunho oral.
“É preciso agregar saberes arqueológicos, antropológicos e outras ciências afins para melhorar a história de Ambuíla. A celebração do dia dos monumentos e sítios, que se realiza em todo o país, convoca todos os sectores da vida nacional para os esforços que ainda temos que desenvolver em defesa do nosso vasto e rico património nacional”, disse.
No seu discurso, Rosa Cruz e Silva apelou às entidades responsáveis do sector nas províncias, municípios e comunas, no sentido de unirem esforços na preservação do Património Cultural. O chefe do departamento do Ministério da Cultura para os Monumentos, Lugares e Sítios, Emanuel Caboco, referiu que na época da Batalha de Ambuíla foram produzidos muitos textos pela Igreja, militares portugueses e outros, que apontam como local provável da batalha a confluência entre os rios Lueji e Ncoji, locais onde posteriormente, nos anos 40 e 50 do século passado, foram implantadas as fazendas Alegria e Zalala, onde foram encontrados muitos restos arqueológicos dessa época histórica.
“São dois elementos importantes, os textos escritos da época da batalha e aquilo que a tradição oral transmitiu de geração em geração. Foram confirmados com artefactos achados recentemente, que permitiram a localização do local mais próximo da batalha. Desta placa até ao palco dos acontecimentos são 500 metros”, afirmou Emanuel Caboco.
A colocação da placa vai permitir a integração de outros elementos que podem valorizar o sítio com a criação de infra-estruturas para atrair turistas, investigadores e curiosos.
Emanuel Caboco lembrou que, no passado, a zona agora identificada como sendo o centro da Batalha de Ambuíla era uma região já habitada, que pertencia a Ambuíla, “porém, depois da ocupação colonial, passou a pertencer ao município do Dange Quitexe. Aliás, os nomes e as autoridades tradicionais da localidade ainda estão ligados ao município de Ambuíla”, explicou.

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