Cultura

Cartoonistas advogam a abertura de novos espaços para divulgação

Manuel Albano|

O cartoonista Olímpio de Sousa afirmou, ontem, em Luanda, que o mercado da Banda Desenhada no país tem conquistado espaço, anualmente, com o aumento de apreciadores, na sua maioria jovens.

Cartoonista Olímpio de Sousa, último à direita
Fotografia: Paulino Damião

Em declarações ao Jornal de Angola, a propósito do 15 de Abril, Dia Mundial do Desenhista, o cartoonista citou como exemplo deste crescimento a realização periódica das 15 edições do Festival Internacional de Banda Desenhada - Luanda Cartoon, um projecto idealizado com o irmão Lindomar de Sousa.
Na sua opinião, deve ser proporcional o surgimento de novos desenhadores com a abertura de mais espaços que garantam a divulgação das obras. Para ele, crescem os desenhadores, entre os quais cartoonistas, pelo facto de a sociedade ver de maneira diferente os artistas, antes marginalizados.
“Actualmente, nos vêem com olhares diferentes e mais positivos”, disse. Salientou, ainda, que ao longo dos anos não tem sido fácil manter-se no mercado e, para o efeito, é necessário mais determinação e disciplina por parte dos desenhadores, quando concebem projectos para que as obras tenham aceitação dos apreciadores.
“Nunca é fácil se impor num mercado como o nosso”, argumentou. Na sua opinião, os bons exemplos e o legado deixado por gerações anteriores à sua têm permitido que a sociedade compreenda melhor o papel dos cartoonistas. Considerou o desenhador um profissional e, à semelhança de outras profissões, deve ser encarada “digna como qualquer outra e que reclama apenas de mais incentivo, valorização, para que os seus obreiros possam viver do que gostam de fazer.”
Para o cartoonista Nelson Paim, há, também, necessidade de criar-se novos espaços para se dar mais visibilidade aos trabalhos dos artistas. “A carência de espaços afasta os criadores do público.”
Nelson Paim que, no ano passado, lançou as revistas “O Campeão dos Campeões”, sobre o Petro Atlético e “O Bi-Campeão”, sobre o 1º de Agosto, criticou o facto de persistirem as dificuldades para a aquisição de matérias de desenho e pintura.
Na visão do desenhista Nelson Kissoka, o Estado e os empresários deviam engajar-se na criação de espaços, admitindo que os criadores têm ainda muitas dificuldades nesse sentido.
“Precisamos de espaços e maior apoio, a sociedade valoriza pouco a arte, com excepção da música”, disse, o cartoonista, assegurando que a falta de espaços e de apoios para a promoção da arte no país constituem as principais dificuldades dos artistas, por isso, solicita ao Executivo novas medidas para solucionar o problema.
Na opinião do cartoonista Júlio Pinto, existem iniciativas produtivas no país, mas com poucas actividades que permitem aos artistas divulgar as suas criações. Afirmou que a prática do desenho é uma das formas de comunicação sobre a qual podem ser identificados e evocados vários temas que preocupam as pessoas.
Júlio Pinto disse que os desenhistas têm o dever de retratar diversos assuntos sobre o quotidiano nacional e internacional, com destaque para temas de pendor cultural e sociais.
“A arte permite transmitir valores sobre o mosaico cultural nacional, alertar para o resgate desses valores e a divulgação dos bons e maus hábitos”, disse.
Por sua vez, o secretário-geral da União Nacional dos Artistas Plásticos (UNAP), António Tomás Ana “Etona” ressaltou a necessidade de a sociedade prestar maior atenção aos artistas, “porque assumem um papel importante na divulgação da cultura nacional.”
De acordo com o desenhador, pintor, escultor e gravurista “Etona”, quando não se respeita as artes, “não se respeita a cultura.”
O Dia Mundial do Desenhista foi criado em homenagem ao aniversário de nascimento de um dos mais importantes desenhistas de todos os tempos: Leonardo da Vinci, que nasceu a 15 de Abril de 1452, na cidade de Vinci, na Itália.A data foi instituída pela primeira vez como comemorativa em 2011, numa iniciativa da Associação Internacional de Artes (IAA), considerada a maior organização não-governamental de artes visuais, criada em 1954, pela Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura (Unesco).

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