Cultura

Cuidar do património histórico é garantir o nosso "chão firme"

Mário Cohen |

A ministra da Cultura, Carolina Cerqueira, disse na segunda-feira, em Luanda, que cuidar do património nacional significa garantir o nosso “chão firme”, o berço da nossa autenticidade, a força do nosso presente e afirmação da identidade dos traços e matriz da angolanidade.

Ministra da Cultura garante que o compromisso do povo angolano com o património faz parte do quotidiano pois está ancorado à sua nascença
Fotografia: Mota Ambrósio | Edições Novembro

Discursando na abertura da segunda reunião dos peritos africanos do Comité do Património Mundial, que decorre até amanhã na capital angolana, a ministra da Cultura disse que o compromisso do povo angolano com o património faz parte do quotidiano, estando presente na sua forma de ser, como nos actos religiosos, nos casamentos, no nascimento e noutras cerimónias especiais.
Para Carolina Cerqueira, o compromisso do Estado angolano com a protecção do seu  património, que é por consequência africano, está ancorado à sua nascença, razão pela qual se explica que antes de completar um ano como país independente, se tenha aprovado o Decreto 80/76 com o objectivo de salvaguardar todo o património histórico-cultural.
Esta acção, disse, foi secundada por outras que permitiram que esses vestígios fossem apresentados hoje como candidatos à lista do património mundial da Organização das Nações Unidas para Educação, Ciência e Cultura (Unesco), “para o qual contamos com o vosso apoio na reunião a decorrer no próximo mês de Julho na Cracóvia, Polónia.”
A governante faz saber que, em Novembro de 1991, Angola ratificou a Convenção de 1972, referente à protecção do património mundial, cultural e natural e, desde então, tem participado activamente nas reuniões dos Estados-parte da citada convenção que, geralmente, têm lugar na altura das conferências gerais da Unesco. 
Carolina Cerqueira afirmou que o foco do Executivo está virado à preparação e realização das próximas eleições gerais de 23 de Agosto, pelo que o Governo angolano assume com honra a responsabilidade de albergar este encontro técnico, que “vai contribuir para um maior entroncamento e intercâmbio cultural entre nós e uma intervenção mais concreta dos países africanos presentes na discussão do património africano.”
Neste momento, referiu, o Executivo angolano, através do Ministério da Cultura, está actualmente a tratar com a Unesco a inscrição nos próximos anos de sítios, como sendo potencialmente de valor universal excepcional, o que pode agregar valor à lista do património mundial no continente africano.
O director do Fundo para o Património Mundial Africano, o zimbabweano Webber Ndoro, que felicitou o país por albergar a segunda reunião dos peritos africanos, afirmou que a proposta de Mbanza Kongo a património mundial é uma nova era para Angola e a sua aceitação vai atrair milhares de turistas para o país.  Para Webber Ndora, em Angola, existem muitos sítios para serem explorados e acrescentou: “estamos a menos de 50 dias para celebrar Mbanza Kongo como património mundial.”
O zimbabweano revelou que os peritos africanos estão cada vez mais ansiosos para  trabalharem com técnicos angolanos para a descoberta de mais sítios para candidatura a património mundial, tendo exemplificado a região do  Cuito Cuanavale, como um potencial local para integrar lista de património mundial, por ser uma área onde se passou a batalha de Cuito Cuanavale.

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