Cultura

Culturas africanas analisadas em Harare

A cidade de Harare, capital da República do Zimbabwe, acolheu de 11 a 13 deste mês, a segunda Conferência Internacional sobre Culturas Africanas (ICAC), sob o tema “Mapeamento do Futuro", organizada pela Galeria Nacional de Artes daquele país africano.

Jorge Gumbe integrou a delegação angolana que participou na conferência
Fotografia: João Gomes | Edições Novembro

Uma nota de imprensa da Embaixada de Angola no Zimbabwe, refere que o evento serviu de plataforma para redesenhar o futuro das instituições de arte e indústrias do património diante dos actuais desafios socioeconómicos e políticos no continente.
De acordo com o documento, tal reunião tem lugar num momento em que as instituições de arte de todo o mundo precisam de atenção urgente tanto das autoridades locais quanto das corporações e seus governos.
Angola esteve representado pelo professor Jorge Gumbe, artista plástico e Director Geral do Instituto Superior de Artes do Ministério do Ensino Superior, que apresentou uma comunicação intitulada “A Educação Patrimonial como espaço de formação da identidade nacional”.
Foram debatidos os temas “A dimensão histórica da arte em África”, “O desenvolvimento da arte contemporânea no continente”, “Espaço e Urbanismo para o futuro de África”, “Construindo a partir do zero e conectando os espaços abertos para a arte africana contemporânea”, “A tradição do design em África e seu impacto nas artes e na cultura” e “O papel do património na formulação de identidade”.
Durante o evento, foi inaugurada uma exposição com obras de vários artistas africanos, cuja temática aborda narrativas tradicionais africanas em confronto ou convergência com elementos ocidentais num contexto de preocupações contemporâneas.
Estiveram presentes nessa conferência internacional sobre cultura e arte africana, representantes do país anfitrião, bem como da África do Sul, Zâmbia, Uganda, Nigéria, Ghana, Quénia, Botswana, Namíbia, Senegal, além de angolanos, na sua maioria académicos que desenvolvem trabalhos de pesquisas em áreas ligadas às indústrias criativas, cultura e património e ensino artístico.
A primeira Conferência Internacional sobre Culturas Africanas (ICAC), realizada em 1962, igualmente em Harare, desempenhou um papel importante pelos seus resultados, não só para a região, mas para todo o continente.
O seu impacto permitiu traçar as formas em que instituições, governos, académicos e os praticantes envolvidos com o continente deverão interagir para promover no futuro a discussão da arte e cultura. Os participantes visitaram as ruínas da antiga Capital do reino Monomutapa, conhecidas por “Great Zimbabwe”, inscritas na UNESCO como Património Mundial da Humanidade, e estiveram nas escolas de artes e exposições de artes esculpidas em pedra.

Perfil de Jorge Gumbe


Natural dos Dembos, província do Bengo, entre 1972 e 1976, estudou Artes Visuais, na Escola Industrial de Luanda e em 1978  frequentou o Curso de Instrutores de Artes Plásticas, na Secretaria de Estado da Cultura. Em Cuba, graduou-se, em 1981, em Pintura e Desenho.
Em 1984, fez um estágio de Pedagogia de Arte, Cor e Forma, na Suécia e, em 1987, o Curso Internacional sobre Política Cultural e Cultura de Massas, na República Democrática Alemã.
Desempenhou as funções de Secretário Geral da União Nacional de Artistas Plásticos, e Director da Escola Média de Artes Plásticas do Instituto Nacional de Formação Artística e Cultural.
Em 1994, licenciou-se em Educação Visual e Tecnológica, pela Escola Superior de Educação de Viana do Castelo, em Portugal. Jorge Gumbe é doutorado pela Universidade de Roehampton, de Londres, Reino Unido. Realizou exposições na Roménia, Brasil, Suécia, França, Portugal, Rússia, Congo e Senegal.

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