Defendida restauração de monumentos e sítios

Joaquim Júnior | Uíge
5 de Julho, 2016

O historiador e docente universitário Pedro Quiamesso defendeu ontem, na cidade do Uíge, a necessidade de o Governo definir o plano de restauração dos monumentos e sítios históricos do município sede, para melhor conservação desses espaços relacionados com a vida da cidade.

Pedro Quiamesso, que falava sobre “Reflexão e subsídios para a descrição do passado histórico do Uíge”, numa mesa redonda promovida pelo governo provincial, disse que os monumentos e sítios da capital revelam dados históricos do Uíge, por isso, se impõe a sua preservação.
A palestra foi inserida nas celebrações dos 99 anos da fundação da cidade do Uíge, assinalados dia 1 de Julho. Acrescentou que os dados históricos podem servir de fonte para estudantes e investigadores. “Alguns monumentos guardam segredos dos antigos comerciantes, matérias que podem ser úteis aos jovens do ramo comercial”, referiu o palestrante.
Lamentou o estado de abandono em que se encontram alguns monumentos, tais como a Antiga Casa Comercial, a primeira edificação de 1917, situada defronte ao Grande Hotel do Uíge. "Embora sejam registadas pelo Ministério da Cultura, muitas são as infra-estruturas patrimoniais que reclamam por acções de preservação", reforçou Pedro Quiamesso. Entre outros monumentos, citou a antiga administração do concelho e o busto do herói Mbemba, situado na entrada do bairro Mbemba Ngango, figura que se destacou na resistência contra a ocupação colonial.
A publicação em livro, para se garantir uma ampla divulgação, é apontada como uma das vias para preservação da memória da cidade e de outras localidades da província.
O historiador sugeriu ao governo provincial, em parceria com as administrações municipais, a criação de grupos de trabalhos científicos para a descrição do passado histórico das localidades e defendeu a releitura de todas as historiografias existentes, principalmente a colonial, adequação a novos padrões actuais, revisão da toponímia das localidades, títulos e símbolos de poder e outros desde a época colonial.
No decurso da mesa redonda, presenciada por estudantes das escolas do II ciclo, universitários, docentes, membros do governo provincial, autoridades tradicionais e entidades eclesiásticas, Pedro Quiamesso viajou no tempo para situar os presentes sobre a formação da antiga cidade de Carmona, antes da fundação do Uíge, como vila em 1917, que passou à categoria de cidade 1956, em simultâneo com as de Malanje, Ndalatando, Cabinda e Saurimo.
“O Bairro Oficial foi o primeiro a ser criado pela administração do conselho, seguiram-se o posto sanitário, os Correios Telégrafos, uma escola primária e a residência dos administradores, secretários e estabelecimentos comerciais”, disse.

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