Estado do património debatido em palestra

João Salvo | Saurimo
30 de Outubro, 2015

Fotografia: Santos Pedro

A importância da preservação do património nacional, particularmente na valorização da identidade e da cultura angolana à nova geração, foi o tema de uma palestra realizada ontem, na Mediateca de Saurimo, pela Direcção Provincial da Cultura.

O director da Mediateca, que foi o orador, sublinhou a importância do património audiovisual na defesa das tradições e da divulgação da cultura de várias regiões do país, de forma a chamar atenção dos jovens, em especial os estudantes.
A palestra, destacou Flávio Chihumbwe, esteve inserida nas comemorações do Dia da Preservação de Patrimónios Audiovisuais, assinalado terça-feira, dia 27, e serviu ainda para reforçar e mostrar o papel das mediatecas na preservação da cultura nacional e dos bens públicos.
Para Flávio Chihumbwe é preciso criar novos projectos, de forma a aproximar mais o público das mediatecas. “As expressões artísticas, como a música e a literatura são as melhores formas, porque o público, em especial os jovens, se revê mais nestes géneros.”
Actualmente, informou, a mediateca recebe, em media, a visita de 150 pessoas, na sua maioria adolescentes e jovens estudantes.
O chefe do Departamento da Cultura disse que é preciso realizar mais palestras sobre a importância do património cultural nacional, por ser uma parte essencial, nesta época de reconstrução do país, na defesa do património. “É uma parte da riqueza e da História do país a ser preservado para as gerações vindouras”, defendeu Guilherme Martins.

Arquivos em risco

Este ano o Dia Mundial do Património Audiovisual teve como lema “Arquivos em risco: protegendo as identidades do mundo”.
Na sua mensagem sobre a data, a chefe da Organização das Nações Unidas para Educação, Ciência e Cultura (UNESCO), afirmou que “o património audiovisual deve ser acessível a todos”.
No entanto, Irina Bokova declarou que “grande parte deste património foi perdido para sempre por negligência, destruição, má sorte ou falta de recursos adequados”, prejudicando, assim, a “memória colectiva da humanidade”. A responsável ressaltou ainda que “a vulnerabilidade é especialmente maior em situações de conflito armado”.
Para a directora-geral da UNESCO, o mundo tem “dentre dez e 15 anos para transferir as gravações audiovisuais para média digital e prevenir a sua perda”.
Na mensagem sobre a data, Irina Bokova pediu também a todos os Estados-membros, as instituições, produtores e consumidores de sons e imagens que unam forças para poder em“proteger e compartilhar a riqueza audiovisual comum”.
Como parte da cobertura especial do aniversário de 70 anos das Nações Unidas, a Rádio ONU entrevistou o chefe da Unidade de Multimédia, responsável por cuidar do acervo da organização.
António Carlos da Silva disse que o arquivo tem mais de 850 mil fotos já digitalizadas, mais de 100 mil horas de vídeo, 6 mil horas de filmes e 18 mil horas de áudio.
“Você vê um pouco a história da humanidade, da segunda metade do século 20 até os dias de hoje, contada através deste acervo. Os grandes temas da humanidade são debatidos aqui, daí a sua importância histórica. É muito importante para a mensagem da ONU e o trabalho da organização ter esse material mantido e preservado para as gerações futuras, que vão através desse material audiovisual, se sensibilizar e saber o que aconteceu na época.”
Parte do acervo já está disponível na Internet na Biblioteca Audiovisual da ONU. A biblioteca tem aproximadamente mil horas de áudios históricos e é possível fazer o download pelo site de 200 programas, disponíveis na secção “Clássicos da Rádio ONU”. Irina Bokova defendeu que o património audiovisual, tal como filmes, programas de rádio e televisão e gravações de áudio e vídeo reflectem a história e oferecem um relato único das sociedades e da diversidade das culturas do mundo.

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