Estátuas de bronze são de Miguel Ângelo


5 de Fevereiro, 2015

Fotografia: Divulgação

Duas estátuas de bronze de um metro de altura de homens musculosos montados em panteras, cuja autoria é tema de debate há tempos, agora são tidas como as únicas peças de bronze remanescentes de Miguel Ângelo, anunciou o Museu Fitzwilliam.

As estátuas, que mostram os homens com um braço erguido em sinal de saudação, foram atribuídas ao artista italiano renascentista do século XVI, em parte por causa de um detalhe minúsculo de um desenho de um dos seus estudantes, afirmou o Fitzwilliam, que é o museu da Universidade de Cambridge.
A entidade disse que Paul Joannides, professor de História da Arte de Cambridge, ligou os bronzes a um desenho de um dos aprendizes de Miguel Ângelo actualmente no Museu Fabre, em Montpellier, na França.
A cópia de alguns esboços perdidos de Miguel Ângelo feita pelo pupilo inclui uma composição de um jovem musculoso montado numa pantera, cuja pose o museu afirmou ser muito semelhante à dos bronzes.
O esboço também “foi desenhado daforma abrupta e impetuosa que Miguel Ângelo empregava nos conceitos de esculturas. Isso dá a entender que Miguel Ângelo estava a elaborar este tema muito incomum para um trabalho em três dimensões”. Os bronzes, que passaram mais de um século em relativa obscuridade, são obras iniciais do mestre italiano, disse o museu, feitas pouco depois de completar o seu David de mármore e quando estava prestes a começar a pintura do tecto da Capela Sistina.
O museu declarou que o indício que liga os bronzes a Miguel Ângelo vai ser apresentado numa conferência em Julho, e que as obras vão estar expostas no Fitzwilliam.
“Os bronzes são obras de arte excepcionalmente poderosas e empolgantes que merecem estudo detalhado,  esperamos que o público venha e os examine, e se envolva neste debate em andamento”, afirmou Victoria Avery, curadora do Departamento de Artes Aplicadas do Museu Fitzwilliam, num comunicado.
A primeira atribuição registada dos bronzes a Miguhel Ângelo ocorreu quando eles apareceram na colecção de Adolphe de Rothschild no século XIX, informou o museu, mas como eles não possuem documentação nem assinatura, essa validação foi rejeitada. Ao longo dos últimos 120 anos, as estátuas foram atribuídas a vários outros escultores. É sabido que Miguel Ângelo trabalhou com bronze, mas outros exemplares foram perdidos ou destruídos, segundo o Fitzwilliam. Se a atribuição for correcta, são os únicos bronzes remanescentes de Miguel Ângelo do mundo.

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