Governador do Zaire exige maior dinamismo


27 de Julho, 2016

Fotografia: Garcia Mayatoko | Zaire

O governador do Zaire, José Joanes André, pediu segunda-feira, em Mbanza Congo, aos membros do Comité de Gestão Participativa do Centro Histórico-Cultural da cidade uma conjugação de esforços para a preservação e conservação do património histórico-cultural da localidade que concorre para património mundial.

Ao intervir na sessão de tomada de posse dos respectivos membros, José Joanes André disse ser uma tarefa difícil manter, conservar e cuidar um bem que almeja a categoria de património da humanidade, mas pediu espírito de missão aos integrantes do referido  comité criado por decreto presidencial.
“Fazem parte do comité personalidades que conhecem verdadeiramente a realidade história de Mbanza Congo. Ainda teremos outros no conselho científico a ser criado”, referiu.
O governador reiterou o apelo aos munícipes de Mbanza Congo no sentido de preservarem o património histórico-cultural desta antiga sede político-administrativa do Reino do Kongo, conhecendo e respeitando os ancestrais que emergiram deste reino que abrangia vastos territórios da região da África Central e Sudoeste.
“Queremos uma acção de sensibilização permanente na qual os mais velhos vão ter que emprestar todo o seu saber”, sublinhou, tendo igualmente solicitado o apoio e a colaboração das autoridades do Lumbu (Corte Real Kongo) nesta missão.
Segundo o governador, o Comité de Gestão Participativa do Centro Histórico-Cultural de Mbanza Congo é uma das condicionantes exigidas pela Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura (Unesco), organismo responsável pela classificação de sítios e bens culturais.
Integram este comité representantes do Ministério da Cultura, responsáveis locais dos sectores da Educação, Administração do Território, Ensino Superior, Obras Públicas, Urbanismo e Ambiente, Turismo e Hotelaria, Finanças, membros da sociedade civil, entidades tradicionais e eclesiásticas, entre outros quadros.
Entre os empossados, o destaque vai para a coordenadora do projecto “Mbanza Congo, cidade a desenterrar para preservar”, a arqueóloga Sónia Domingos, a administradora municipal de Mbanza congo, Nzuzi Makiese, e o director provincial da Cultura, Biluka Nsakala Nsenga. O reverendo emérito da Igreja Evangélica Baptista em Angola, Álvaro Rodrigues, e o coordenador das autoridades tradicionais do Lumbu, Afonso Mendes, também se destacam da lista dos membros deste comité.
Presenciaram a cerimónia, a directora do Instituto Nacional do Património Cultural, Maria de Jesus da Piedade, membros do Governo e magistrados do Ministério Público.
O Comité de Gestão Participativa do Centro Histórico de Mbanza Congo foi criado à luz do Decreto Presidencial 178/2015, de 18 de Setembro, no âmbito do projecto da sua inscrição na lista do património mundial. Tem como objectivo desenvolver acções que visam a conservação e preservação do património histórico-cultural local, assim como a divulgação do seu valor excepcional.
Esta cerimónia esteve integrada no programa das actividades alusivas a 15ª edição das festas desta sede capital da província do Zaire, que segunda-feira, 25 de Julho, completou 510 anos de existência.
O projecto “Mbanza Congo, cidade a desenterrar para preservar” foi lançado em 2007, naquela cidade, com a realização de uma mesa-redonda internacional que abordou a referida temática pelo Ministério da Cultura. Actualmente, a localidade ostenta a categoria de património histórico-cultural nacional atribuída pelo Ministério da Cultura.

Restauração de monumentos

Falando na cerimónia de tomada de posse dos membros do Comité de Gestão Participativa do Centro Histórico de Mbanza Congo, criado por decreto presidencial, José Joanes André, acrescentou, sem referenciar a origem, que especialistas encarregados de restaurar alguns monumentos históricos da antiga capital do Reino do Kongo, chegaram ontem ao país e desembarcam hoje em Mbanza Congo.
O governador avançou que o enfoque do trabalho vai estar mais direccionado ao restauro da primeira Sé Catedral católica (Kulumbimbi), construída ao sul da África Subsaariana, em 1491, de modo a travar-se a sua contínua degradação, sem ferir o seu aspecto arquitectónico original. “É uma boa nova para nós, por isso, continuamos de mãos dadas com o Ministério da Cultura”, disse o governador, que anunciou o início ontem de uma mega campanha de limpeza a sítios e monumentos históricos desta cidade.
Num outro desenvolvimento, José Joanes André realçou que o processo de inscrição de Mbanza Congo na lista do património mundial está ser levado a cabo de forma multilateral, incluindo também o trabalho diplomático, de modo a convencer os membros da Unesco a votarem favoravelmente na candidatura angolana.
Reiterou ainda estar em curso a elaboração de um projecto turístico para Mbanza Congo, no qual está envolvida uma empresa que demonstrou ter capacidade técnica para o efeito.

capa do dia

Get Adobe Flash player




ARTIGOS

MULTIMÉDIA