Mbanza Congo na lista da ONU

Víctor Mayala | Mbanza Congo
7 de Julho, 2016

Fotografia: Garcia Mayatoko | Mbanza Congo

A ministra da Cultura, Carolina Cerqueira, reafirmou ontem, em Mbanza Congo, o empenho do Executivo em continuar a desenvolver esforços para a inscrição daquela cidade histórica na lista do Património Mundial da UNESCO.

“Estamos a trabalhar, porque temos que levar a cabo uma série de pré-condições que foram impostas pela UNESCO, desde a limpeza dos locais, o roteiro que deve ser bem definido e o isolamento das zonas de protecção, muitas delas invadidas em consequência da urbanização da própria cidade”, referiu.
A ministra, que terminou ontem uma visita de 48 horas a Mbanza Congo, disse ser necessária a definição, com precisão, do roteiro de locais de interesse histórico-cultural, para que possam ser conservados e protegidos, além de permitir a sua fácil localização, por parte de turistas e outros interessados.
Carolina Cerqueira lembrou que esta região de África, que abrange também o Gabão, República Democrática do Congo e o Congo Brazzaville, foi um ponto importante para a saída da escravatura, uma vez que permitiu levar a tradição e a espiritualidade do povo além do oceano, para regiões como a Jamaica, Brasil, Antilhas e Cuba.
“Estamos satisfeitos com o que encontrámos em Mbanza Congo. Visitámos os vários sítios onde estão a ser feitas as escavações, para o reconhecimento do acervo que pode haver em relação ao projecto”, disse a governante, que notou haver disponibilidade de colaboração total do governador provincial do Zaire, que passa agora a coordenar a comissão de gestão do Centro Histórico de Mbanza Congo.
A ministra da Cultura assistiu no Lumbu, tribunal tradicional, que funciona numa das salas anexas ao Museu dos Reis do Congo, a um julgamento tradicional, presidido pelo coordenador do núcleo das autoridades tradicionais e representantes da corte real. “Foi muito representativa e de grande dimensão a actividade que tivemos com as autoridades tradicionais enquanto guardiãs da tradição e invocação da espiritualidade do povo desta região do nosso país”, frisou a governante, para quem os locais sagrados como o Kulumbimbi, primeira igreja construída na África a Sul do Equador e outros rituais demonstrados pelas autoridades tradicionais, constituem  uma mais-valia para a cultura nacional. A coordenadora do projecto “Mbanza Congo - cidade a desenterrar para preservar”, Sónia Domingos, frisou que o Plano de Gestão da Cidade Mbanza Congo é um instrumento que serve para reforçar a actual gestão, onde devem participar, além  de governantes, autoridades tradicionais, associações e a comunidade em geral.
Segundo Sónia Domingos, um dos pontos essenciais do plano tem a ver com o desenvolvimento do turismo de vários tipos, entre os quais cultural, religioso e ecológico, com privilégio para este último, por existirem na região paisagens como montanhas e planícies com beleza sem igual.  A coordenadora do projecto avançou que o plano de gestão vai permitir, também, identificar os problemas e planificar melhor as acções com vista a conservar e preservar o centro histórico, além de contribuir para a melhoria da qualidade de vida das populações.
“O plano de gestão vai permitir traçar estratégias no que toca à investigação científica, nos domínios da história, arqueologia, antropologia e da arquitectura sobre a região  do Congo.
Ontem, último dia da sua visita de trabalho em Mbanza Congo, Carolina Cerqueira reuniu com a classe artística da província do Zaire, de quem recebeu informações detalhadas sobre o estado das artes na região e os principais problemas existentes.

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