Memória colectiva corre grande perigo

Mário Cohen |
14 de Setembro, 2016

Fotografia: Miqueas Machangongo

A ministra da Cultura, Carolina Cerqueira, afirmou, ontem em Luanda, que a memória de Angola está em perigo, numa clara chamada de atenção ao estado avançado de degradação e à má conservação do edifício onde funciona o Arquivo Histórico Nacional,  considerado o único local que guarda o acervo mais importante do país.

Durante a visita de campo, a directora do Arquivo Histórico Nacional, Alexandra Aparício, fez as honras da instituição, mostrando à governante as fissuras existentes no edifício que permitem a penetração de água e de poeira nos depósitos.
Preocupada com a situação, a ministra da Cultura garantiu que o seu pelouro vai prestar todo o apoio necessário ao Arquivo Histórico Nacional, por forma a ultrapassar essas dificuldades, tendo defendido que a memória de Angola está naquela instituição, “por isso, o seu objectivo é atacar os problemas que afligem o arquivo.”
Apesar de o ministério ter já feito trabalhos de melhoria em vários monumentos nacionais, Carolina Cerqueira reconheceu que o dinheiro que o Ministério da Cultura recebe do Orçamento Geral do Estado é insuficiente para intervir em simultâneo em todo o património histórico e cultural degradado no país.
A governante afirmou que a cultura merece uma atenção especial, ao mesmo tempo que reconheceu que as dificuldades financeiras não estão só para o Ministério da Cultura, mas para todas as instituições nacionais, por causa da crise que o país vive.
A titular da pasta de Cultura ficou impressionada com o acervo do Arquivo Histórico Nacional, que conserva, neste momento, a maior parte da História Nacional, assim como deu garantias de reverter o quadro, melhorando o depósito da memória de Angola. Exortou os funcionários da instituição a não trabalharem sob pressão, porque bons dias hão-de chegar.
A directora do Arquivo Nacional Histórico garantiu tratar-se de uma questão de tempo para se pôr fim a uma série de preocupações da instituição cultural, apesar de os problemas serem muitos.
Alexandra Aparício disse que parte dos problemas vai ser ultrapassada e desaparecer, quando o Arquivo Histórico Nacional passar para o novo edifício, que vai estar concluído em 2018. A responsável afirmou que, dentro de pouco tempo, vão dar continuidade aos projectos de investigação histórica que o Arquivo Histórico Nacional tem levado a cabo em todo o país, mas que, de momento, está a meio gás por falta de técnicos especializados na matéria.
A nível de segurança do acervo, o Arquivo Histórico Nacional conta com o apoio da Polícia Nacional, que garante a segurança do edifício. Quanto à digitalização, o arquivo não tem problemas, porque parte desses documentos já está digitalizada, mas precisa de mais equipamentos de que o país não dispõe.

Museu de História Natural


Depois de ter visitado o Arquivo Histórico Nacional, em companhia do secretário de Estado  Cornélio Caley, Carolina Cerqueira terminou a sua visita de campo no Museu Nacional de História Natural, fechado ao público há vários meses, em consequência do desabamento do tecto.
A direcção do museu prestou informações detalhadas sobre as razões que levaram ao encerramento da instituição museológica e a questão da segurança, durante as visitas guiadas, para proteger os visitantes que diariamente se deslocam à instituição, assim como a protecção devido à água e à poeira que entram pelas fissuras existentes no edifício.
A ministra garantiu que se está a envidar esforços para que o Museu de História Natural abra as portas ao público, no próximo mês. “O museu é fonte de estudo para muita gente, principalmente estudantes, não pode ficar fechado por muito”, disse.

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