Cultura

Modernização do Museu Regional permite a recuperação do acervo

Arão Martins | Lubango

A lona de divulgação cultural colocada na fachada do Museu Regional da Huíla, na cidade do Lubango, despertou a atenção do estudante de História do Instituto Superior de Ciências da Educação (ISCED), António Cafivela, que  pela sua curiosidade,  foi recebido pela responsável da instituição museológica Filomena Zenguela.

O trabalho de modernização do Museu Regional da Huíla, desenvolvido desde 2011, permitiu a recuperação de estátuas com históricos importantes na trajectória do país
Fotografia: Arão Martins | Edições Novembro-Huíla

António Cafivela repara atentamente na enxada, objecto de uso doméstico feito de ferro e com cabo de madeira, utilizado por algumas comunidades da região para o cultivo.
A enxada foi a peça do mês de Dezembro último e encerrou o ciclo de exposição temporal do ano 2017  no Museu Regional da Huíla. A afluência de turistas, estudantes universitários, do ensino secundário do I e II ciclos foi grande.
Soraia Santos Ferreira, directora do museu, disse que o interesse em conhecer os hábitos e costumes dos povos da região Sul, em particular, e do país, em geral, é quase permanente por parte de turistas e estudantes nacionais e estrangeiros.
A directora avançou que o Museu Regional da Huíla registou, de Janeiro a Outubro de 2017, a visita de 5.200 turistas, oriundos maioritariamente da Alemanha, África do Sul, Portugal, China, Namíbia e Vietname, assim como turistas e estudantes nacionais dos vários níveis de ensino.
Soraia Santos Ferreira disse que uma das inovações para este ano é a abertura da instituição museológica nos fins de semana, tendo explicado ser nos dias da semana que se regista o maior número de turistas estrangeiros que visitaram e adquiriram peças na loja do museu, um bazar criado em parceria com um artesão de Benguela.
O trabalho de modernização do Museu Regional da Huíla,  desenvolvido desde 2011, permitiu a recuperação das estátuas de Artur de Paiva e João de Almeida, dois portugueses com histórico importante na trajectória do país.
A directora afirmou existirem razões para se ter o Mu-seu aberto nos fins de semana, sendo a primeira razão a solicitação feita pelos visitantes de fora, porque os turistas passam pelo Lubango nos fins de semana, o que aumenta o número de visitantes ao sábado e domingo.
“Adaptamos a realidade do que acontece nos museus   do Mundo que abrem as portas nos fins de semana. Os museus nunca são fechados nos fins de semana, apesar do défice a nível de técnicos”, frisou Soraia Santos Ferreira.
O Museu Regional da Huíla tem, no seu quadro do pessoal, apenas seis funcionários, um dos quais em vias de ser reformado. De acordo com a directora, para colmatar o défice e o museu funcionar de forma estável e contínuo é necessário o enquadramento de  oito funcionários.
“O nosso maior problema  é    não termos funcionários para podermos assegurar a abertura da instituição nos fins de semana. Os funcionários que temos são poucos. Estamos a trabalhar para conseguirmos suprir essa necessidade, recorrendo ao Gover-
no Provincial",disse a directora, para acrescentar que a solicitação já foi feita ao Go­verno Provincial.
Soraia Santos Ferreira indicou a vigilância e guia como principais áreas a serem preenchidas, tendo adiantado que o balanço anual indica o registo de seis mil visitas.
O ano de 2017, disse, foi considerado como dos me-lhores para a instituição, na medida em que foram registadas várias melhorias no seu funcionamento. “Embora essa melhoria já se tinha verificado em 2016, o ano de 2017 foi melhor porque é o período em que se fez a consolidação dos objectivos traçados em 2011.” Em função da verba atribuída ao Museu em 2017, informou, foi possível realizar alterações que permitiram proporcionar melhorias na infra-estrutura do Museu Re­gional, começando pela correcção da cobertura que antes estava danificada.

Inventariação da colecção
A inventariação da colecção etnográfica do Museu Regional Sul da Huíla é um dos ganhos conseguidos pela direcção da instituição no ano passado, afirmou a directora Soraia Santos Ferreira.
“Temos quase todas as nossas colecções inventariadas. Quando assumi a direcção do museu em 2011, tínhamos apenas a colecção etnográfica inventariada e que está em exposição e o material que está em depósito, que diz respeito a etnografia dos povos do Sul de Angola.”
Soraia Santos Ferreira  disse que o museu tinha  ricas colecções que não estavam inventariadas, catalogadas e tratadas da melhor forma.  “O que nós fizemos foi pegar nessas colecções todas e fazer o inventário. Neste momento, temos várias colecções totalmente inventariadas”, afirmou. Neste pe­ríodo, foi feita  a catalogação da colecção de fotografias de que o museu dispõe, com duas mil fotos que datam dos anos de 1930 a 1940, que retratam a evolução da cidade do Lubango, assim como a colecção de selos.
“Temos a colecção de postais e  de bibliografia, que faz parte da nossa biblioteca, completamente inventariada e catalogada”, disse Soraia Santos Ferreira, para acrescentar que decorre com sucesso o processo de digitalização de todos artigos do museu, para evitar o seu desaparecimento.
Em Outubro de 2017, disse, iniciou-se a inventariação do material da colecção etnográfica de origem portuguesa, trabalho esse que vai continuar este ano. “Esse trabalho ainda não está finalizado por serem muitas peças. Nesta acção, contamos com a colaboração dos estudantes do Instituto Superior de Ciências da Educação (ISCED), na Huíla”, frisou.
Foram também inventariadas 1.562 peças etnográficas, além de uma colecção de 100 selos e cinco mil livros.

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