Museu do Prado perde obras de arte


23 de Julho, 2014

Fotografia: DR

O Museu do Prado, em Madrid, que tem uma das mais importantes colecções de arte do mundo, desconhece o paradeiro de 885 das suas obras de arte, apurou o Tribunal de Contas espanhol, de acordo com o diário “El País”.

Apesar do número ser impressionante, o diário noticiou que já foi mais elevado, entre 2008 e 2012, quando o Serviço de Depósitos do museu localizou 41 obras das 926 que, nessa altura, chegaram a compor a lista das peças de paradeiro desconhecido.
O número, explicou a direcção do museu, não significa que todas essas obras estejam definitivamente perdidas. A instituição atribuiu as perdas e posteriores localizações a uma “reordenação das colecções” feita em conjunto com o Museu Nacional Centro de Arte Reina Sofia, também de Madrid. Assim, 12 das peças do Prado entretanto já localizadas “estavam depositadas em diversas instituições”, destaca o relatório do Tribunal de Contas, citado pelo “El País”, adiantando que também entre 2001 e 2006, foram localizadas outras dez obras.
Um porta-voz do museu disse à imprensa espanhola que uma parte importante - se não a maioria - dos trabalhos por localizar pode ter sido destruída em incêndios e durante as guerras. “Não é algo suspeito, porque não consta de uma documentação oficial, que essas obras tenham sido destruídas”, justificou.
A juntar a essa dificuldade, o Prado pretende criar o seu novo Centro de Gestão de Depósitos e revela ter “insuficiência de meios humanos” para investir na gestão dos seus acervos.
Embora sejam problemas com que se confrontam muitas das grandes instituições mundiais, as explicações do museu não estão a convencer o Tribunal de Contas, destacou o “El País”. O tribunal disse que vai “prosseguir” as buscas das obras que constem em “arquivos antigos” e entende ser “imprescindível” que o museu prossiga também os seus trabalhos de busca e controle dos depósitos noutras instituições – uma secção dos inventários conhecida como “Prado Disperso”. A “ausência” de relatórios periódicos sobre o estado das colecções é uma “debilidade”, que os fiscalizadores recomendam que seja sanada.
Ainda segundo o diário espanhol, nos anos 1980 os responsáveis do Prado deram como perdidos cerca de 350 telas e, uma década depois, os inventários do museu declarariam que cerca de 500 obras tinham sido destruídas ou estavam em paradeiro desconhecido. Nessa altura, os acervos do Prado guardavam oito mil obras – quase menos 20 mil do que actualmente. Hoje, o museu tem 27.509 obras, das quais 7.621 pinturas, 15.480 desenhos e estampas e 4.408 esculturas e peças de artes decorativas. Destas, 3.­206 estão em depósitos fora do Prado, 2.975 das quais dispersas por 263 instituições espanholas.
No decorrer da actual fiscalização, o museu solicitou a certificação do paradeiro de 1.789 destas obras a 82 instituições. Só 64,63 por cento ficou confirmado por 53 instituições. Algumas das instituições não responderam e 25 informaram que havia discrepâncias entre os seus arquivos e os do Prado. Na opinião do Tribunal de Contas, estas discrepâncias têm a ver com a antiguidade dos depósitos em causa, assim como com falta de controlo de arquivos. O plano de actuação decretado para o período de quatro anos, entre 2013 e 2016, prevê a fiscalização de pelo menos parte das obras que o Prado tem dispersas.
Além da localização, pretende-se que sejam também analisadas as condições de conservação e segurança das peças de arte. Durante esta campanha, devem ser tratadas 1.500 obras em 130 instituições, ser fotografadas e integradas no arquivo informático de gestão de fundos actualmente em desenvolvimento.

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