Obras de Amadeo no Grand Palais


5 de Fevereiro, 2015

Fotografia: Divulgação

O Grand Palais, em Paris, vai expor a retrospectiva da obra de Amadeo de Souza Cardoso, de 30 de Março a 11 de Julho de 2016, no âmbito do programa dos 50 anos da Fundação Gulbenkian de Paris.

“Há muitos anos que havia a intenção de fazer uma grande exposição de Amadeo de Souza Cardoso em Paris. Tendo ele vivido em Paris, Paris deu um contributo inestimável à sua obra, uma grande exposição aqui, num sítio emblemático, era realmente necessário”, disse à imprensa portuguesa João Caraça, o director da delegação em França da Fundação Calouste Gulbenkian.
A maior exposição em França de Amadeo de Souza Cardoso, que viveu em Paris de 1906 a 1914, pretende dar “a descobrir” aos franceses o artista que já tinha sido considerado “o segredo mais bem escondido da cultura portuguesa”, acrescentou João Caraça.
“É um grande momento da cultura portuguesa e um grande momento da aproximação entre Portugal e França e as suas comunidades, tomando como pretexto um grande artista, talvez o maior pintor português do século XX”, disse.
O cinquentenário da Fundação Gulbenkian de Paris vai contar também com uma mostra sobre os últimos 50 anos da Arquitectura Portuguesa, de Abril a Julho de 2016, na Cité de l’Architecture et du Patrimoine, com nomes como os dois Prémios Pritzker -Álvaro Siza e Eduardo Souto de Moura -, e também Pancho Guedes, os irmãos Aires Mateus, Gonçalo Byrne, Ruy Athouguia, Nuno Portas e Nuno Teotónio Pereira.
O programa do cinquentenário teve início este ano, a 30 de Janeiro, com a exposição “Pliure. Prologue (La part du feu)” - “Dobra. Prólogo (a parte do fogo)” -, na Gulbenkian de Paris, que reúne 40 obras de sete séculos, em torno da relação entre o livro e a arte.
O programa vai continuar de 5 de Maio a 25 de Julho deste ano, com a exposição “Modernités: photographies brésiliennes 1940-1964”, um panorama de quatro nomes representativos do nascimento da fotografia moderna no Brasil, Marcel Gautherot, José Medeiros, Thomaz Farkas, Hans Günter Flieg , numa mostra que também vai estar na Gulbenkian, em Lisboa, de Fevereiro a Abril.
“A Sul de Hoje. La création contemporaine au Portugal” é a mostra que se segue na Gulbenkian de Paris, entre 16 de Setembro e 13 de Dezembro, deste ano, “um momento para chamar à atenção para aquilo que se faz de mais recente em Portugal”, continuou o director da delegação francesa da Gulbenkian.
Em 2016, além da retrospectiva de Amadeo de Souza Cardoso e da mostra sobre a arquitectura portuguesa, o programa do cinquentenário inclui uma exposição de Julião Sarmento, de 27 de Janeiro a 17 de Abril, artista contemporâneo conhecido do público francês, representado no Museu de Arte Moderna de Nova Iorque, na Tate de Londres e no Centre Pompidou de Paris.
Além das exposições, a Fundação vai acolher diversos debates, com destaque para os colóquios “A Filantropia no século XXI: construir o bem comum” (13 de Outubro) e “As Margens” (9-10 de Março), o encontro com os vencedores do Prémio Camões (18-19 de Junho) e uma conferência sobre as artes da língua portuguesa (21-22 de Outubro), previstos para este ano.
Em parceria com a revista literária francesa “Books”, a Gulbenkian de Paris vai passar a atribuir um prémio bienal para a melhor tradução em francês de uma obra escrita em língua portuguesa e uma bolsa a um curador para desenvolver projectos expositivos.
A delegação em França da Fundação Calouste Gulbenkian foi inaugurada a 3 de Maio de 1965, no palacete que foi residência do empresário e coleccionador de arte Calouste Sarkis Gulbenkian, durante a década de 1930.

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