Cultura

Património como prioridade

António Bequengue |

Promover esforços no sentido de classificar o Monumento do Cuito Cuanavale, o Corredor do Kwanza e as grutas do Tchitundu Hulu a património mundial, pedidos que já deram entrada na Organização das Nações Unidas para Educação, Ciência e Cultura (UNESCO) é uma das “grandes” apostas do Ministério da Cultura para os próximos anos.

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Fotografia: Garcia Mayatoko | Edições Novembro - Mbanza Kongo

A elevação do Centro Histórico de Mbanza Kongo, ao título de primeiro monumento angolano a constar na lista do Património Mundial da UNESCO, em acto consumado a 8 Julho, em Cracóvia, Polónia, durante a 41.ª sessão do Comité do Património Mundial, abriu boas perspectivas para o país pensar em aumentar na lista da UNESCO o número de monumentos nacionais.
À semelhança do que aconteceu com Mbanza Kongo, cujo trabalho de investigação histórica, documental e arqueológica foi relançado em Setembro de 2007, com a realização da II Mesa-Redonda Internacional, sob o lema “Mbanza Kongo - Cidade a Desenterrar para Preservar”, tem de haver também um árduo trabalho, sobretudo de diplomacia cultural para a inserção destes três monumentos na lista da UNESCO.
Os passos já começaram a ser dados. A cantora Nsoki, que também se juntou ao projecto, é a embaixadora do país na divulgação da imagem do projecto do Corredor do Kwanza, provavelmente a segunda candidatura angolana à lista do Património Cultural da Humanidade da Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura (UNESCO).
Em diversos encontros, a “embaixadora” Nsoki prometeu trabalhar em prol da candidatura do Corredor do Kwanza e garante tudo fazer durante as suas actividades artísticas para ajudar a promover e divulgar o projecto, no qual está envolvida muito directamente.
A acrescentar a este facto e no intuito de apostar na continua valorização da Cultura nacional, o ministério perspectiva ainda para os próximos anos a conclusão e publicação da História Geral de Angola, cujo apresentação deve acontecer no primeiro trimestre deste ano, 20 anos depois da implementação do projecto, considerado uma importante contribuição ao conhecimento da história e da historiografia do país, do ponto de vista dos autóctones.
Outro objectivo do ministério é a conclusão das obras e o apetrechamento do novo edifício do Arquivo Nacional de Angola, uma infra-estrutura  moderna e equipada, actualmente em fase de acabamento, na zona de Camama, mais precisamente nos arredores do Estádio 11 de Novembro, a ser inaugurado, provavelmente, este ano.
O Arquivo Nacional de Angola, que tem como ob­jectivo coordenar a política arquivística nacional e supervisionar o funcionamento do Sistema Nacional de Ar­quivos, é uma instituição de natureza cultural e de investigação científica criada para ajudar a preservar a memoria colectiva nacional e promover estudos na área das ciências sociais.  Sob  tutela do Ministério da Cultura, a gestão do acervo bibliográfico vai ser assegurado pelas novas tecnologias com a conclusão e apetrechamento da Biblioteca Nacional, bem como com a construção de bibliotecas provinciais em Benguela, Huíla, Cuanza-Norte e Bié, aprovação dos instrumentos jurídico-legais para o licenciamento de escolas públicas e privadas de artes no país, a implementação do Plano Nacional de Expansão do Ensino Artístico (Planearte) e com o apoio a participação e realização de eventos, a nível nacional e internacional, de divulgação e afirmação da cultura nacional.
A implementação do sistema nacional de programas culturais municipais, a promoção e realização de feiras do artesanato, como fonte de rendimento para as comunidades, a construção de um campus cinematográfico em Luanda, a conclusão das obras dos museus Nacional de História Natural e Regional do Dundo, assim como a conclusão da reabilitação do edifício principal do Museu Nacional de Antropologia constam também do programa de acção deste ano do Ministério da Cultura.
Entre os  vários projectos de renovação e actualização das políticas culturais está ainda previsto a criação de museus regionais, a construção de um Memorial aos mártires da Baixa de Cassanje e aos Reis do Ndongo e a elaboração de estudos sobre as variantes da Língua portuguesa e a situação etnolinguística do país.
A reabilitação e a requalificação da infra-estrutura da Tourada, em Luanda, para a dotar de condições condignas para receber actividades culturais a favor das comunidades consta das prioridades do Ministérios da Cultura para os próximos anos.

                                                       Terceira edição do Fenacult acontece em 2020
A realização da terceira edição do Festival Nacional de Cultura (Fenacult), que passou a ter uma periodicidade de cinco anos, ao invés de quatro, também é parte das prioridades e vai ser integrado no programa das comemorações dos aniversários quinquenais da Independência Nacional.
A alteração da periodicidade deve contribuir para a racionalização dos recursos humanos, financeiros e técnicos, transformando-o numa marca de manifestação artística cultural essencial para o fortalecimento da unidade nacional, na diversidade cultural. Este ano, com vista o fortalecimento da internacionalização da cultura nacional, Angola participa, em Março, na cidade de Joanesburgo, África do Sul, num encontro sobre a importância da edificação de um memorial sobre a luta contra o Apartheid e a libertação da África, num projecto que procura resgatar a história e a memória sobre os proces­sos de libertação dos povos da África Austral.
Angola participam em Abril deste ano, pela primeira vez, no “Conacri, capital mundial do livro em 2017”, um festival cultural anual promovido pela Organização das Nações Unidas para Educação, Ciência e Cultura (UNESCO), que decorre de 23 de Abril de 2017 a 22 de Abril de 2018.
Em Conacri, Angola vai participar na iniciativa que reúne escritores de 50 países convidados, cujas actividades vão acontecer nas datas comemorativas das suas independências. O dia de Angola deveria ser comemorado a 11 de Novembro último, mas devido a situações de força maior, o país deve celebrar o seu dia no evento a 4 de Abril, dia da Paz em Angola.
Embora seja um actividade focada para a promoção literatura, o objectivo é também promover outras expressões e manifestações artísticas como as artes plásticas, dança, música, artesanato, moda e a culinária africana.

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