Cultura

Património Mundial tem novos locais

A UNESCO adicionou à lista de Património Mundial dez novos locais, incluindo as minas de mercúrio de Almadén, Espanha, e Idrija, Eslovénia, para além da sala de ópera de Bayreuth, na Alemanha, informou ontem a Reuters.

Apesar do seu actual estado de conservação Brasília foi eleita pelos especialistas da UNESCO como herança cultural da Humanidade
Fotografia: AFP

A UNESCO adicionou à lista de Património Mundial dez novos locais, incluindo as minas de mercúrio de Almadén, Espanha, e Idrija, Eslovénia, para além da sala de ópera de Bayreuth, na Alemanha, informou ontem a Reuters.
O Comité do Património Mundial, que vai estar reunido até sexta-feira, colocou também na lista de locais classificados, segundo um comunicado publicado na sua página da Internet, a sepultura de Gonbad-e Qabus, no Irão, a herança arqueológica do vale Lenggong, na Malásia, a paisagem de Grand-Pré, no Canadá, as duas maiores minas de mercúrio do mundo, localizadas em Espanha e na Eslovénia, a casa de ópera Margravial em Bayreuth, na Alemanha, cidade onde todos os anos se realiza o maior festival dedicado ao compositor Richard Wagner, para além da bacia mineira de Nord-Pas de Calais, em França.
O comité da UNESCO, com 21 Estados membros, já tinha aprovado as propostas a Património Mundial dos 17 edifícios na cidade de Murharraq, no Barém, local de apanha de pérolas e a denominada “Mesquita de Sexta-feira” no centro histórico de Isfahan, no Irão.
A UNESCO inscreveu igualmente a igreja da Natividade em Belém na lista do Património Mundial, através de um procedimento de urgência durante uma sessão em São Petersburgo, na Rússia. Para além da igreja da Natividade, foi ainda incluída na lista de Património Mundial Xanadu, a parte norte da Grande Muralha da China, a área de Bassari, no Senegal, e a primeira capital da Costa do Marfim, de nome Grand-Bassam. Também o Monte Carmel, em Israel, a lagoa do sul das Ilhas Rochosas, no Palau, a paisagem cultural de Bali, na Indonésia, e a cidade de Rabat, em Marrocos, foram incluídos na nova listagem da UNESCO.

Pelo seu valor

As fortificações de Elvas, que atravessam séculos da história militar e da cidade, foram classificadas como Património Mundial pela UNESCO. Palco decisivo das guerras de fronteira que se seguiram à Restauração, em 1640, as estruturas agora classificadas são a maior fortaleza abaluartada da Europa (reconhecido pela forma em estrela), sendo formada, para além do castelo, pelas fortalezas secundárias de Santa Luzia e da Graça.
Fundadas no reinado de D. Sancho II e construídas sobre uma estrutura muçulmana, foram incluídas na Lista Indicativa do Património Mundial da UNESCO em 2009. As fortificações, através das quais se atravessa o período mouro e medieval, as inovações renascentistas e o avanço do tempo até ao século XIX, são “um dos mais importantes casos de sobreposição de funções e de evolução das concepções estratégicas e militares ao longo da História”, refere a proposta então enviada à Comissão Nacional da UNESCO.
A decisão foi tomadapelo Comité do Património Mundial, que está reunido até ao dia 6 de Julho, em São Peterburgo, na Rússia. A candidatura da classificação das fortificações abrangia vários monumentos: os fortes de Santa Luzia, do século XVII, e da Graça, do século XVIII, três fortins do século XIX, as três muralhas medievais e a muralha do século XVII, além do Aqueduto da Amoreira. Era a única candidatura portuguesa entre as 33 que a UNESCO tinha sobre a mesa.
O projecto de candidatura começou a ser preparado em 2004 e decorreu sem sobressaltos, segundo a vereadora da Cultura, Elsa Grilo. “Foi um trabalho intenso que implicou uma forte componente de preservação do património mas também de educação”, explicou.

Brasília sob alertas

O comité do património mundial da UNESCO, reunido em São Petersburgo até ao dia 6 de Julho, aprovou na sexta-feira, por unanimidade, a manutenção da capital brasileira, Brasília, como Património Cultural da Humanidade, com o alerta, no entanto, para o estado de conservação da cidade, informou a Reuters.
A decisão foi resultado do relatório da missão da UNESCO que visitou Brasília em Março para avaliar os impactos sobre a área da cidade idealizada pelo urbanista Lúcio Costa, e que deixou várias recomendações ao Governo brasileiro.  As zonas da cidade ao abandono e degradadas, tal como a falta de planeamento para o Mundial de 2014, foram algumas das falhas apontadas pelo comité internacional. Assim, as novas recomendações incluem a garantia da manutenção das características originais da cidade no Plano de Preservação Urbanístico, a apresentação de propostas para desenvolvimento de infra-estruturas em torno do estádio que vai ser usado no Campeonato do Mundo e a idealização de uma estratégia eficiente para o transporte público.
O mesmo relatório obriga ainda o Brasil a apresentar um relatório sobre a evolução da situação e as medidas já tomadas em Brasília até ao dia 1 de Fevereiro de 2013.
Por fim, o relatório da UNESCO alerta para o crescimento acelerado da cidade, explicando que é preciso que exista um maior controlo, de maneira a que não se percam os espaços verdes para se continuar a construir edifícios sem regra.

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