Cultura

Património Nacional à mostra em Luanda

Manuel Albano |

Divulgar a arte dos nyaneka humbi, particularmente entre os jovens e chamar atenção destes para a importância de valorizarem mais a sua identidade é uma das prioridades do Museu Nacional de Antropologia.

Director da instituição Álvaro Jorge falou dos vários projectos e seus objectivos a curto e médio prazo
Fotografia: Vigas da Purificação | Edições Novembro

Para realizar este propósito, a direcção da instituição tem apresentado ao público, de forma rotativa, diversos objectivos, que são parte fundamental do “modo de vida” e da cultura dos angolanos.
Desta feita, os Nyanekas Humbi, com os seus vários rituais e costumes, foram os escolhidos. Dentre os diversos bens culturais deste povo, a escolha recaiu para o heholo, um balde ou recipiente feito de madeira, de forma cilíndrica, esculpido com uma saliência circular em lombas e amarrado com a pele de boi para facilitar o seu transporte.
Segundo uma recolha e pesquisa feitas por técnicos do Museu Nacional de Antropologia, os acabamentos e a ornamentação variam consoante a sensibilidade do artista e o requinte que se pretende imprimir ao objecto.
A peça, que faz parte do vasto acervo museológico da instituição, também já foi uma das seleccionadas para o projecto “Peça do Mês” do Museu Nacional da Antropologia. Para oferecer maior resistência, durabilidade e protecção da madeira, é untada com manteiga, passando depois pela cozedura, ou seja, o objecto é enterrado e submetido a uma elevada temperatura produzida pela lenha ardente que se coloca na parte superior da cavidade.
O heholo é, geralmente, utilizado na ordenha do gado, no transporte, tratamento e na conservação do leite para a fabricação do mahinyi (leite azedo ou yogurt) de uso imediato. De um lado, o heholo reveste-se também de um carácter sagrado, sendo que nunca pode ser alienado nem roubado.
Se for roubado, isso constitui um grande infortúnio para o dono e toda a família. Sendo o heholo um dos elementos significativos que enriquecem a nossa identidade cultural, a sua preservação, protecção e valorização devem ser, frequentemente, a prioridade de toda a sociedade.
A criação de gado além de ser uma fonte de subsistência é também fonte de riqueza do grupo etnolinguístico nyaneka humbi (khumbi) constituído de pastores por excelência, que vivem principalmente na província da Huíla.
Dentro deste grupo, a grande ambição de um homem adulto é ser proprietário de manadas de boi. No entanto, a vida quotidiana está intimamente ligada às suas principais actividades que têm um reflexo na produção de bens materiais e utensílios domésticos.
Assim sendo, o leite é um alimento base e imprescindível para este povo. Por isso, os artesãos fabricam uma série de instrumentos e utensílios de que, diariamente, necessitam na pastorícia e na utilização dos produtos fornecidos pelo gado bovino.
Entre estes instrumentos, encontramos o heholo (balde), o ohupa (cabaça) e o omakwila (funil). A fabricação destes instrumentos e utensílios domésticos corresponde ao modo de vida dessas comunidades, modo de vida consubstanciado na criação de gado, no tratamento, na conservação e transformação do leite que constitui o alimento essencial desse grupo.

O regresso a casa
Mais de duas mil peças mintadi feitas de esteatite, conhecida como pedra-sabão, da região do Nóqui, na província do Zaíre, estão a ser transportadas do Instituto Nacional do Património Cultural (INPC), para o Depósito Central do Museu Nacional de Antropologia.
Em declarações ao Jornal de Angola, o director do Museu Nacional de Antropologia, Álvaro Jorge, explicou que o processo de transportação das peças está enquadrado no processo de recuperação, conservação e apetrecho do depósito central inaugurado desde Novembro de 2016.
Álvaro Jorge disse que, durante uma semana e após a transportação das peças, na sua maioria pertencente à área etnolinguística kongo, vão dar por concluída a primeira fase de recolhas do acervo fora do museu.
O director da instituição salientou que, na década de 90, o museu tinha poucas condições para conservar todo o seu acervo museológico, por essa razão, muitas dessas peças foram transportadas para o Museu Nacional de História Natural e para o Instituto Nacional do Património Cultural. “Actualmente, temos as condições criadas para conservar o acervo do museu com o novo edifício do depósito central”, explicou.
O edifício, disse Álvaro Jorge, como quatro pisos, tem dinamizado o funcionamento do museu, razão pela qual, o museu acomoda actualmente mais de seis mil peças de várias categorias, garantindo assim a sua protecção e preservação para fins de pesquisa e exposição.
O museu tem 14 salas distribuídas por dois andares que abrigam peças tradicionaisa. Além do núcleo permanente, o museu recebe exposições temporárias.

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