Peças de Cabinda estão fora do país

Alberto Coelho | Cabinda
13 de Janeiro, 2016

Fotografia: António Soares | Cabinda

O director do Museu Regional de Cabinda disse ontem ao Jornal de Angola que muitas obras de arte e artefactos antropológicos, que representam aspectos sócio-culturais da província, foram desviados para o Congo Brazzaville, República Democrática do Congo e alguns países da Europa.

Francisco Angó disse que missionários e colonos que trabalharam em Cabinda levaram peças de interesse cultural da região para o continente europeu.
A título de exemplo, disse que a peça Nkisi Nkonde, uma estátua cravada de pregos que os antepassados em Cabinda usavam para amaldiçoar os inimigos, encontra-se num museu da Itália.
“Encontrei essa peça em Itália e não sei como lá foi parar”, disse Francisco Angó.
O responsável acrescentou que em Portugal, na cidade do Porto, foram identificadas cerca de três mil peças com valor museológico saídas de Cabinda e o suposto proprietário exige muito dinheiro para as devolver, o que levou o Museu Regional de Cabinda e outras instituições a desistir da sua recuperação.
A província de Cabinda está a perder peças para o Congo Brazzaville e República e Democrática do Congo, com a conivência de pastores de seitas religiosas, que ludibriam os crentes para retirarem peças de interesse museológico das mãos de angolanos. “Estamos preocupados, porque muito património cultural da província que deveria estar no museu está a desaparecer”, desabafou.

Mintadi e Maiombe

O Museu Regional de Cabinda, inaugurado a 18 de Maio de 1986, possui 420 peças, das quais 181 estão em exposição. Duas exposições provisórias, designadas Mintadi e Maiombe, estão patentes desde Setembro do ano passado.
A primeira apresenta esculturas em pedra, que no passado tinham a “missão” de proteger a família e a comunidade. A segunda representa a floresta do Maiombe, com a exibição de várias espécies de madeira e animais selvagens.A próxima exposição tem inauguração prevista para o último trimestre deste ano. O museu realiza este ano as primeiras jornadas científicas, com o objectivo de realçar a importância e o papel da instituição na sociedade.  “Vamos desenvolver temas que têm a ver com a vida e o funcionamento do museu e convidar especialistas nas áreas da sociologia, história e antropologia. Queremos colher contribuições para melhorar o funcionamento da instituição”, explicou Francisco Angó.
O Museu Regional de Cabinda tem patente ao público peças que retratam a actividade social e económica das comunidades, reflectida na agricultura, pesca e caça, bem como nos símbolos do poder tradicional, mobiliário, utensílios domésticos, meios comunicação, objectos religiosos, bem como instrumentos musicais. O museu recebeu no ano passado 3.282 visitantes.

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