Projecto Mbanza Congo está em fase final


8 de Julho, 2014

Fotografia: Paulino Damião

A terceira fase do projecto de escavações arqueológicas do programa “Mbanza Congo - Cidade a Desenterrar para Preservar" encerrou com resultados satisfatórios, afirmou Sónia Domingos.

A coordenadora do projecto, que chefia uma equipa de 11 especialistas que recolheram em Abril, Maio e Junho dados e objectos, disse estar satisfeita por ter sido dado mais um passo para Mbanza Congo ser considerada Património Mundial da UNESCO.
“Foram três meses de um árduo trabalho e temos de agradecer o apoio do Ministério da Cultura e do Governo Provincial", afirmou à Angop.
A arqueóloga referiu terem sido recolhidas quatro mil peças que depois de catalogadas são enviadas para laboratórios norte-americanos para serem avaliados e se determinar datas e origens.
Os dados recolhidos e as informações obtidas em vários pontos do mundo sobre o antigo Reino do Congo, salientou, satisfazem as pretensões dos angolanos.
A investigadora disse que quando se iniciou o trabalho estava certa que Mbanza Congo tinha “valor cultural e histórico imensurável".
Os especialistas, que têm a partir de Agosto a colaboração de um antropólogo, vão trabalhar agora em duas etapas, que incluem fotografia aérea de vários ângulos da cidade e das áreas de escavações e o plano de gestão. As próximas etapas, disse, desenvolvem-se até Janeiro, altura em que é feita a fase final do dossier da Comissão do Património Mundial da Humaniodade UNESCO.
A arqueóloga lembrou que a classificação de Mbanza Congo como Património Mudial é importante para Angola por ser um marco de referência na História da África Subsariana.
O projecto ´de reconhecimento foi lançado em 2007, com a realização da mesa-redonda internacional “Mbanza Congo, Cidade a Desenterrar para Preservar”.

Cidade antiga


Mbanza Congo, com 68 mil habitantes, foi a capital do antigo reino do Congo e até 1975 designou-se São Salvador do Congo.
A cidade, que foi fundada antes da chegada dos portugueses, era a capital de uma dinastia que governou a região desde 1483. O local foi abandonado durante as guerras civis que eclodiram no século XVII.
A cidade foi o lar dos Menekongo, que governavam o Reino do Congo. No ano de 1549, por influência dos missionários portugueses, foi construída a igreja de São Salvador do Congo, a mais igreja da África Subsaariana, o Kulumbimbi, que passou a ser catedral em 1596. O Papa João Paulo II visitou-a em 1992.
O nome São Salvador do Congo apareceu pela primeira vez em cartas enviadas por Álvaro I do Congo, entre os anos de 1568 e 1587. Quando os portugueses chegaram, Mbanza Congo já era uma grande cidade. Durante o reinado de Afonso I, foram feitas edificações de pedra, entra as quais o palácio e muitas igrejas.
Em 1630 foram mencionados entre cerca de quatro mil a cinco mil baptismos na cidade, que tinha cem mil habitantes.
A cidade foi saqueada várias vezes durante as guerras civis do século XVII, principalmente na batalha de Mbwila e abandonada no ano de 1678. Foi reocupada em 1705 por seguidores de D. Beatriz Kimpa Vita. A partir dessa altura nunca mais foi abandonada.

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