Cultura

Protecção do património deve ser tarefa de todos

Roque Silva |

A ministra da Cultura, Carolina Cerqueira, apelou ao esforço de todos os angolanos para a preservação da cidade de Mbanza Kongo por constituir um instrumento de valor histórico e cultural do continente africano, que coloca Angola no centro do mundo.

A cerimónia teve direito a corte de bolo e música ao vivo por Calabeto e Santocas
Fotografia: Paulo Mulaza |Edições Novembro

Para Carolina Cerqueira que tomou a palavra, na quinta-feira, no Museu de História Militar, em Luanda, nas comemorações da elevação da cidade de Mbanza Kongo a Património Mundial, a classificação e o reconhecimento da Unesco obrigam a uma maior preservação, por forma a transformar a antiga cidade do Reino do Kongo num pólo de desenvolvimento na região do norte do país e do continente berço.
A governante disse que o Centro Histórico de Mbanza Kongo é um local de entrosamento de culturas e de investigação, que envolve Angola, a República Democrática do Congo, o Congo Brazavile e o Gabão, motivo pelo qual há necessidade do empenho de especialistas em várias áreas do saber para a sua preservação e desenvolvimento.
A ministra da Cultura fez saber que o Executivo angolano aguarda uma resposta dos governos das Repúblicas Democrática do Congo Democrático, do Congo Brazzaville e do Gabão sobre os trabalhos a serem desenvolvidos para preservar o Património da Humanidade, por ser um espaço de atracção dos países da região.
O Governo angolano enviou recentemente cartas aos presidentes dos países acima referidos em que apela à solidariedade regional, empenho e entrosamento das universidades, escolas de investigação, historiadores, arqueólogos, sociólogos e políticos para  valorização do património.

Empenho do Presidente da República


Carolina Cerqueira destacou, por outro lado, o empenho do Presidente da República, José Eduardo dos Santos, e dos anteriores ministros da Cultura, pelo contributo prestado no dossier que culminou com a elevação da cidade de Mbanza Kongo a Património Mundial, no dia 8 de Julho, em Cracóvia, na Polónia. O processo do projecto “Mbanza Kongo, cidade a desenterrar para preservar” teve várias etapas, antecedidas de uma mesa redonda  em 1989.
O ministro da Hotelaria e Turismo anunciou a criação de condições de infra-estruturas e o aumento de transportes aéreos como estratégias para atrair o maior número de turistas que se deslocarem à cidade de Mbanza Kongo.
Entre as estratégias anunciadas por Paulino Domingos Baptista, constam um suporte aéreo com três voos semanais e a construção de um hotel com mais 200 quartos, visando garantir fluidez na deslocação e um alojamento condigno aos visitantes da cidade histórica, actualmente Património da Humanidade. “Mbanza Kongo vai ser o grande atractivo cultural de Angola, por isso trabalhamos com o Ministério da Cultura para fomentar o turismo cultural e esperamos tirar maior rendimento com o turismo.”
O arcebispo de Luanda, Dom Filomeno Vieira Dias, acredita ser possível realizar peregrinações à antiga cidade do Reino do Kongo devido ao grande movimento de pessoas que se perspectiva ter nos próximos tempos pela sua importância cultural, antropológica, arqueológica e histórica para toda a humanidade.
Para o arcebispo de Luanda, a responsabilidade para a sua conservação aumenta por se tratar de um legado recebido do passado que se deve transmitir às novas gerações.
O embaixador do Brasil em Angola, Paulino Carvalho Neto, considera a elevação de Mbanza Kongo o reconhecimento das tradições e da história de Angola, onde os brasileiros se revêem pois “também são africanos.”
O diplomata brasileiro disse que o Brasil está disposto a colaborar com Angola no domínio de formação de mão-de-obra especializada na conservação de património, devido à sua experiência adquirida na área de preservação.
A celebração da elevação  de Mbanza Kongo a Património Mundial teve direito a corte de bolo, fogo-de-artifício e música ao vivo, num ambiente propício para troca de ideias entre os especialistas do Ministério da Cultura e convidados, enquanto degustavam quitutes da terra.

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