Cultura

Reconstrução da cidade deve ser uma prioridade

Roque Silva |

A requalificação da antiga cidade do Reino do Kongo é condição prioritária para a conservação do Centro Histórico de Mbanza Kongo defendeu, ontem em Luanda, o secretário-geral da União Nacional dos Artistas Plásticos (UNAP), António Tomás Ana “Etona”, que sugeriu a inclusão de técnicos de todas as áreas do saber das artes em Angola.

Cidade deve ganhar novos monumentos e esculturas que retratem as figuras do rei Dom Afonso I e da sua mãe dona Mpolo
Fotografia: Adolfo Dumbo | Mbanza Kongo | Edições Novembro

Falando numa conferência de imprensa realizada na sede do Ministério da Cultura, o escultor, que felicitou os esforços do Presidente da República, José Eduardo dos Santos, e de todos os técnicos e das autoridades tradicionais e locais envolvidos no processo, disse que a protecção do centro histórico, classificado no passado dia 8 como Património da Humanidade, passa pela recuperação e preservação de edifícios históricos, como igrejas, escolas, palácios, residências, conventos, escolas e as vias de acesso à cidade.
Para o líder associativista, técnico que trabalhou na equipa para o dossier de inscrição estudado pelos peritos da Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura (Unesco), o processo deve envolver os artistas de todas as áreas.
Etona é de opinião que a cidade de Mbanza Kongo deve ganhar novos monumentos e esculturas que retratam as figuras do rei Dom Afonso I e da sua mãe, dona Mpolo (que fora enterrada viva por desobediência às leis da corte).
Integrante da caravana angolana na 41.ª sessão da Comissão de Património Mundial da Unesco, de 2 a 12, em Cracóvia (Polónia) e no segundo mandato à frente da UNAP, o artista defende a necessidade da construção de elementos que demonstrem que as figuras históricas da antiga cidade do Reino do Kongo existiram.
Etona considera o país com técnicos com capacidade de preservar Mbanza Kongo, para proteger o seu valor e criar uma nova imagem da cidade com capacidade de atrair investimentos e o turismo.
A participação de artistas plásticos, disse o secretário-geral da UNAP, vai enriquecer todo um trabalho em prol da protecção do centro histórico e permitir uma maior e melhor divulgação para o mundo e obrigar a estudos profundos sobre a forma de salvaguardar os sítios e bens patrimoniais materiais para que não percam o seu valor.
“Precisamos dar outra vida ao nosso Património da Humanidade, por isso é imprescindível a participação dos artistas, sem descurar os angolanos que residem no exterior, que nos podem servir com a sua experiência”, disse depois de esclarecer que a intenção é evitar que esse título seja retirado da Lista dos Patrimónios da Humanidade.

Governo do Zaire informado


Os membros do Governo provincial do Zaire foram, na segunda-feira, em Mbanza Kongo, informados sobre o momento que marcou a inscrição do centro histórico e cultural desta histórica cidade, na lista do Património Mundial.
Coube ao governador provincial, José Joanes André, que participou da 41.ª Sessão dos membros do Comité do Património Mundial da UNESCO, que decorreu de 2 a 12 deste mês na cidade de Cracóvia,  Polónia, descrever o ambiente vivido antes, durante e depois da consagração.
Ao discursar na cerimónia de abertura da III Reunião Ordinária do Governo, José Joanes André disse que fruto do trabalho aturado de especialistas nacionais e estrangeiros, que trabalharam no "dossier", foi possível descobrir os vestígios que testaram que o Reino do Kongo existiu desde o século XIII e que teve o seu auge no século XV.
Segundo o governador provincial, o património material e imaterial de Mbanza Kongo, que lhe confere valor excepcional e universal, foi fundamental para a inscrição da localidade na lista da UNESCO, votada por unanimidade pelos membros do Comité do Património Mundial, no passado dia 8 de Julho deste ano.
“Todas as pessoas que estiveram directa ou indirectamente ligados ao projecto, até aqueles que, na hora de construir as suas residências, encontraram vestígios antigos como ossadas, contribuíram neste processo”, disse o governador provincial que explicou que o documento de candidatura de Mbanza Kongo, apresentado pela equipa científica ligada ao Ministério da Cultura, foi bastante elogiado no encontro de Cracóvia, havendo, por isso, entidades que se ofereceram a continuar a prestar a sua consultoria técnica ao projecto.
“A qualidade do trabalho feito foi enfatizado neste encontro, o que demonstra que Angola tem quadros capazes e à dimensão desta empreitada.”

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